Investigação revela diálogos, estrutura e continuidade de suposto esquema na Câmara de Blumenau
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A investigação que resultou no afastamento do vereador de Blumenau Almir Vieira (Progressistas), por 180 dias, revela um conjunto robusto de elementos que, segundo a Polícia Civil e o Judiciário, apontam para a existência de um suposto esquema estruturado dentro da Câmara de Vereadores. O material, ao qual a coluna teve acesso, detalha diálogos diretos entre investigados, divisão de funções e indícios de continuidade das práticas mesmo após diligências policiais.
De acordo com os autos, parte significativa das provas foi obtida por meio de quebra de sigilo telemático. Em um dos trechos mais contundentes, Almir reage a um vídeo em que uma ex-funcionária denunciava irregularidades, chamando-a de “nojenta”. Na sequência, sua esposa, Mara Vieira, responde: “Quando a mordomia acaba, eles jogam tudo no ventilador”. Para os investigadores, o diálogo demonstra não apenas a relação entre os envolvidos, mas também a percepção interna de risco diante da possibilidade de exposição do esquema.


As conversas interceptadas vão além. Há registros de diálogos entre Mara e um servidor identificado como Clóvis, nos quais são tratados possíveis repasses de valores. Em um dos trechos, ele questiona sobre a chegada de recursos, e Mara responde que o assunto seria alinhado com Almir. Para a Polícia Civil, esse tipo de comunicação evidencia a existência de uma dinâmica organizada para circulação de dinheiro fora dos canais oficiais.
Estrutura organizada
A investigação sustenta que não se trata de condutas isoladas. Os autos apontam a existência de uma suposta organização criminosa voltada à obtenção de vantagens financeiras ilícitas a partir de cargos públicos. Segundo o relatório policial, Almir Vieira seria o mentor do esquema, enquanto Mara atuaria na gestão dos recursos.
Outros nomes também aparecem como parte da engrenagem: Wagner Schnaider e Daniela Greise Altini são apontados como supostos operadores, responsáveis pela execução prática das movimentações financeiras.
A descrição inclui ainda um possível mecanismo de “rachadinha”, com retenção de parte dos salários de servidores comissionados. Os valores, segundo os autos, seriam posteriormente “devolvidos” em dinheiro vivo, reforçando a tese de um fluxo financeiro contínuo e estruturado.
Continuidade do esquema
Um dos pontos decisivos para o afastamento foi a indicação de que as práticas investigadas não teriam cessado. Mesmo após operações e apreensões, novos elementos surgiram, indicando a continuidade do esquema.
Na decisão, o magistrado destaca que há indícios de que os crimes “continuam sendo cometidos”, o que torna o afastamento uma medida necessária para interromper as práticas e evitar interferências na investigação. O despacho formaliza o afastamento por 180 dias, sem prejuízo da remuneração.
Além disso, a tentativa da defesa de suspender o andamento do processo de cassação foi rejeitada pela Justiça, que não identificou ilegalidades na condução da comissão processante.
Caso segue em andamento
O conjunto de provas reunido — que inclui diálogos, descrição de funções e indícios de fluxo financeiro ativo — coloca o caso como um dos mais sensíveis da política recente de Blumenau. Para os investigadores, os elementos vão além de suspeitas pontuais e indicam uma estrutura organizada dentro do ambiente público.
O processo segue em andamento e, diante do volume de informações já reunidas, não estão descartados novos desdobramentos tanto na esfera judicial quanto política.
A coluna segue tentando contato com os citados. O espaço está aberto para contraponto.
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