Uma atualização importante para as eleições de 2026 na Lei nº 9.504/1997, reforçada por normas do Tribunal Superior Eleitoral, está diretamente ligada a algo comum no dia a dia digital: o impulsionamento de conteúdo. O que antes era visto apenas como estratégia de alcance agora passou a ser tratado com muito mais rigor — e pode definir o sucesso ou o fracasso de uma campanha.

Impulsionar uma publicação, ou seja, pagar para que ela alcance mais pessoas nas redes sociais, continua permitido. A novidade é o nível de controle e transparência exigido. A regra agora deixa ainda mais claro que só o próprio candidato, partido ou coligação pode pagar por esse tipo de divulgação. Além disso, toda propaganda precisa informar, de forma visível, quem está por trás daquele conteúdo.

Na prática, isso combate uma estratégia comum em eleições anteriores: o uso de terceiros — como influenciadores ou páginas não oficiais — para promover candidatos sem deixar claro que se trata de propaganda. Esse tipo de ação agora é considerado irregular e pode gerar multa e até cassação.

Outro ponto importante da atualização é a proibição de impulsionar conteúdos negativos contra adversários. Ou seja, pagar para promover ataques, críticas ou denúncias deixou de ser uma “zona cinzenta” e passou a ser claramente proibido. O impulsionamento deve ser usado apenas para divulgar propostas e qualidades do próprio candidato.

Um exemplo simples ajuda a entender: um candidato pode pagar para que um vídeo explicando seu plano para a saúde alcance mais pessoas — desde que o conteúdo esteja identificado como propaganda. Mas ele não pode pagar para espalhar um vídeo criticando outro candidato, mesmo que a informação seja verdadeira. Nesse caso, o conteúdo até pode existir, mas não pode ser impulsionado.

Para o eleitor, essa mudança aumenta a transparência. Fica mais fácil saber quando um conteúdo foi patrocinado e por quem, evitando confusão entre opinião espontânea e publicidade paga.

Já para os candidatos, o recado é direto: não basta investir em marketing, é preciso investir corretamente. O impulsionamento continua sendo uma ferramenta poderosa, mas agora exige responsabilidade total.

Em 2026, campanhas não serão definidas apenas por quem aparece mais, mas por quem respeita as regras enquanto aparece. Porque, no novo cenário eleitoral, um clique errado pode ter consequências muito maiores do que parece.