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Paulo Gouvêa

O foco não ideológico da eleição municipal – Coluna do Paulo Gouvêa

No mundo da política sente-se no ar uma certa aflição para prever qual será a influência da política nacional na escolha dos prefeitos. No ano passado tivemos as eleições estaduais e a nacional. E o fator predominante foi, como não poderia deixar de ser naquele momento, o enfrentamento entre as tropas lulistas de um lado e as bolsonaristas de outro. As primeiras levaram o prêmio principal, a Presidência da República, as outras conquistaram mais governos importantes e um número maior de parlamentares. Aqui no Estado aconteceu uma goleada em favor do bolsonarismo: o Governo ficou com o candidato que teve a bênção do Capitão, a vaga no Senado foi para uma pessoa inventada por ele. E assim por diante.

Agora, já de olho nos embates do próximo ano, a pergunta que tortura todos que tratam deste assunto mais de perto é esta: os mesmos protagonistas e influenciadores de votos daquela eleição continuarão dando as cartas, elegendo seus candidatos meio goela abaixo dos eleitores? O povo vai votar em um candidato a prefeito somente porque ele é apoiado por Bolsonaro, ou, em certos casos, por Lula? Não creio. A eleição municipal tem outro foco. E não estou dizendo isso porque acho que é assim e não assado. Existe evidência empírica nesse sentido.

Em 2018, o vitorioso da vez foi Jair Bolsonaro. Ele era, portanto, Presidente da República, quando tivemos, dois anos depois, a escolha dos prefeitos. E o que se viu na época? Pouquíssima influência do então Presidente. O eleitor, quando decide votar em alguém que vai administrar sua cidade, não está muito interessado na orientação ideológica.

O fator doutrinário é levado em conta, por certo. Bem mais importante, porém, é a identificação com a cidade, as qualidades como gestor e como pessoa humana, seu histórico de realizações. E os vereadores, igualmente, são escolhidos em razão de fatores bem práticos. O votante, acima de tudo, tem em vista a capacidade, de cada um deles, de resolver os problemas dos seus eleitores, de seu bairro e de sua cidade. As outras questões ficam adiadas para as eleições estaduais e nacionais.