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Paulo Gouvêa

Apostando no retrocesso – Coluna do Paulo Gouvêa


A reforma da reforma trabalhista segue provocando dor de cabeça nos empresários e nos trabalhadores. Em muitos lugares do País formam-se grandes filas de gente que vai ao seu sindicato declarar que não quer pagar a “contribuição” – aquela que já tinha deixado de ser compulsória. De certa forma voltou a ser uma imposição, por obra do Supremo Tribunal Federal: os juízes inverteram o ônus da concordância. Até há pouco, se o trabalhador não manifestasse sua vontade de pagar a conta do sindicado, nada lhe seria descontado. Mas, foi trocada a lógica da situação: agora a pessoa tem que afirmar, com antecedência, por escrito, que não deseja alimentar o sindicato com seu dinheiro.

Coisa aparentada, mas já por obra do Governo, acontece com o trabalho aos domingos e feriados. A regra tinha sido simplificada por decisão de quem deveria ser – pelos deputados e senadores. Se houvesse entendimento direto entre comerciantes e comerciários, as lojas poderiam abrir também no sétimo dia e nas datas comemorativas. Como estava prático demais, o Governo Federal meteu sua colher complicadora. Deve ter entendido que os empregados não têm capacidade para decidir com autonomia um caso como esse, de seu próprio interesse. Então uma portaria do Ministério do Trabalho burocratizou o meio de campo: terá de haver uma lei municipal e também uma negociação com os sindicatos para que aconteça a abertura dos supermercados e farmácias aos domingos e feriados.

Essas são realizações da chamada vanguarda do atraso. Segundo a revista Veja o Ministro do Trabalho, o sindicalista Luiz Marinho, está “apostando no retrocesso”. É dele a declaração de que a reforma trabalhista feita no governo Bolsonaro “é um projeto escravagista”.

Presidente perambulante

Enquanto isso, e ao mesmo tempo em que outros problemas urgentes ficam ardendo aqui no nosso país, o Presidente do Brasil passeia pelo mundo. Quando fechar o ano, nosso Lula Internacional terá visitado 24 países. Média, pois, de dois por mês. Bem mais do que os Estados brasileiros onde botou os pés desde que assumiu.