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Maravilha tecnológica da minha infância era escada rolante – Coluna do Paulo Gouvêa

Direto de Tel Aviv – Israel

Quando eu era menino e morava em Cachoeira do Sul, no interior do Rio Grande do Sul, um grande programa era ir à Capital do Estado. Lá vivia Hélcio, meu irmão mais velho, publicitário, já casado na época, em cujo apartamento podia me hospedar. Eu ia para a cidade grande em busca de maravilhas como andar de bonde e ir ao cinema. Em Cachoeira já havia cinema, mas não a fartura que tinha em Porto Alegre. Lá dava para ver um filme por dia, às vezes dois. E você pode até achar bobeira, mas outro dos meus programas prediletos era – andar de escada rolante. Mesmo na Capital, naquela época só havia duas: no Banco da Província e nas Lojas Americanas, onde tinha também o único cheeseburguer do Estado. Mas, eu queria falar mesmo é da escada rolante – para dizer o quanto a tecnologia pode fascinar crianças e também os adultos.

No mundo de hoje, da inteligência artificial, do Metaverso, dos carros sem motoristas e da já bem conhecida Internet – pouca coisa surpreende quem vive numa cidade do tamanho de Blumenau. O que ainda me deslumbraria é uma dessas viagens ao espaço que estarão disponíveis para pessoas comuns já no ano que vem. Mas, isso infelizmente está fora de cogitação devido à idade e à falta dos milhões que custarão as primeiras passagens. Imagino, porém, que meus netos talvez consigam fazer um passeio desses – que terá para eles encantamento semelhante ao que teve para mim, recém entrado na adolescência, as idas de ônibus a Porto Alegre, uma volta de bonde na cidade, as subidas e descidas na escada rolante.

Que Deus ilumine os políticos

Conto essa história bobinha para lembrar o prodígio que presenciamos no decorrer da pandemia do Coronavirus: a criação das vacinas que estão nos protegendo, a maneira como a ciência voou como um foguete, venceu a batalha contra o tempo, entregando, em velocidade inédita, os imunizantes que costumam levar dez anos ou mais para serem inventados. Por outro lado, o mesmo ser humano que é capaz de um feito desses – e também de despachar veículos e drones para a superfície de Marte, lançar ao espaço um telescópio capaz de revelar a criação do universo, e inaugurar a era do turismo espacial – ainda não é capaz de resolver os problemas ambientais do nosso planeta e nem os dramas da fome, da miséria, da ignorância e do medo que castigam grande parte da humanidade. Que Deus ilumine os políticos da mesma forma que tem iluminado os cientistas.