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Paulo Gouvêa

Simone, o MDB e os vários MDBs – Coluna do Paulo Gouvêa

Muito bem, agora já sabemos: o MDB tem candidato, no caso candidata, à Presidência da República. E ela é uma senadora de prestígio chamada Simone Tebet. O partido acertou parceria com o PSDB e com o Cidadania para levar adiante essa empreitada. Agora vem a pergunta inevitável: quem, do MDB, qual MDB, vai realmente apoiar Simone e trabalhar por ela? O passado não muito distante dos emedebistas é na linha daquilo que os alemães chamam de realpolitik, no nosso caso com um toque mais forte, bem brasileiro, de realismo político: o hábito de botar o nariz para fora e ver para que lado o vento sopra.

Especificando um pouco mais a indagação: em quantos Estados o MDB conseguirá ter uma posição firme de apoiar o candidato que seus dirigentes escolheram e sua convenção haverá de referendar? Poucos. Santa Catarina e Rio Grande do Sul, talvez. Nas Alagoas de Renan Calheiros o partido já tem outro escolhido: é Lula da Silva. E segundo o mesmo Renan pelo menos mais uma dúzia de diretórios estaduais estão com o petista.

Trair e coçar

Isso lembra uma antiga peça teatral chamada “Trair e coçar é só começar”, de autoria do também ator Marcos Caruso. Essa comédia virou o maior sucesso de público da história do nosso país. E embora trate da esfera conjugal, seu enredo aplica-se com perfeição a uma grande parcela da política brasileira. Mas, isso tem variadas motivações que pretendo discutir outro dia. 

A lógica de votar no melhor

O PSDB poderá acrescentar alguma solidariedade à candidata. Mais importantes, porém, que esses apegos efêmeros, é o fato novo – a candidatura feminina, de uma mulher forte e preparada. Talvez ela possa obter adesões que independam de vínculos partidários e até ideológicos. Aliás, este é o ponto que todos os eleitores, sejam de que partido forem, deveriam focar: qual é o candidato que eles acreditam que daria um bom presidente? Não o que parece já ter mais apoio, mais chance de se eleger. Isso não deveria ser um motivo para a escolha. A boa lógica indica que o certo é votar no que parece ser o melhor, não no que é mais simpático, mais bem-falante, ou, a esta altura, quem está melhor nas pesquisas. Isso muda. O que não muda é o fato de que o Brasil precisa, dramaticamente, de um ótimo governante, alguém capaz de botar ordem na bagunça e administrar de modo sério, honestamente, e com vasta competência. Sei que é difícil dizer quem preenche todas essas condições. Mas, é bastante fácil perceber quem não as preenche.

Aterrisagem no ninho mais confortável

Aqui em terras catarinas, o mesmo MDB parece ter resolvido sair do muro que costumava ser pousada exclusiva de tucanos. Parece estar em pleno vôo, afinal, para onde queriam seus prefeitos e seus deputados: o aconchego de quem já está no poder e que, nesta condição, tem o talão disponível para assinar cheques administrativos, mesmo que pré-datados. Há quem diga, porém, que o imprevisível emedebê pode, ainda, mudar uma vez mais a trajetória de sua jornada e aterrissar em outro destino.