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Paulo Gouvêa

As melancias que ainda estão na carroça – Coluna do Paulo Gouvêa

Os mais recentes acontecimentos da corrida para o Governo do Estado mostram que as melancias começam a se acomodar ali atrás, na carroça. Até pouco tempo atrás havia, no noticiário, um extenso melancial. Se não, vejamos: Celso Maldaner, Décio Lima, Fabrício Oliveira, Fernando Coruja, João Rodrigues, Joares Ponticelli, Milton Hobus, Napoleão Bernardes e Raimundo Colombo apareciam com maior ou menor destaque nas listas de pretendentes ao Governo do Estado. Destes nove aparentemente sobrou nenhum.

Um certo número desses pretensos candidatos era de mentirinha. Outros permaneceram no cargo que ocupavam, como Fabrício, João e Joares, ficando inelegíveis para a próxima eleição. Dois ou três deles foram caindo fora da carroça devido aos solavancos dos arranjos partidários. Neste momento permanecem com certa firmeza à bordo da carreta e, para quem gosta de veículos mais velozes, no possível grid de largada, os seguintes, em ordem alfabética: Carlos Moisés, Dário Berger, Gean Loureiro, Jorginho Mello, Odair Tramontin e possivelmente mais alguém que tem tido destaque menor na imprensa.

Nesse parágrafo aí em cima está, portanto, o grupo dos que por certo não disputarão o páreo porque não se mantiveram na traseira da carroça e o outro dos que já se acomodaram solidamente no veículo. Além desses há dois personagens que seguem na expectativa de chegar ao destino das convenções de seus partidos. São eles, Antídio Lunelli e Esperidião Amin, duas melancias quadradas no sentido da dificuldade de se acomodarem. O primeiro porque parte substancial de seu partido não o quer e o segundo porque, não tendo embarcado no momento adequado, terá de fazê-lo do modo mais difícil: pulando para dentro da carroça em movimento.


Avalio, então, por ora, aqueles cujas candidaturas têm mais chance de vingar. Moisés leva uma grande vantagem porque, na condição de quem já ocupa o cargo em disputa, ele usou e continua a usando a caneta e todo o arsenal de poder do Governo para angariar apoios e adesões. Mas, por outro lado, arrasta consigo a bola de chumbo dos casos, pouco edificantes, da tal compra dos respiradores e do uso para transporte próprio de aeronaves-ambulância. Dário tem a seu favor o histórico de ser imbatível em disputas eleitorais, porém teve de trocar seu poderoso MDB pelo mais fraco PSB. E, para ter alguma viabilidade, terá de compor uma parceria esquisita, bem mais à esquerda do que seu eleitorado está acostumado.

Gean saiu da Prefeitura da Capital com uma aprovação extraordinária devido a resultados administrativos igualmente fora do comum. E tem demonstrado muito talento na composição de alianças, como demonstra o recente apoio do PSD e do ex-governador Raimundo Colombo. Seu problema ainda é o escasso conhecimento de seu nome e de seus feitos para além das divisas de Florianópolis. Jorginho Mello investiu pesado na conquista do apoio de Jair Bolsonaro, candidato presidencial preferido dos catarinenses. Caso o atual presidente assumisse o encargo de carregá-lo consigo, esse empuxe talvez pudesse ocultar seu limitado brilho e lhe garantir uma vaga no segundo turno. Ocorre, entretanto, que Jair está preferindo não apoiar ninguém no primeiro turno. Tramontin apresenta-se à corrida como a cara nova nesse tipo de evento.

Quatro anos atrás ser uma novidade era um trunfo eleitoral. Hoje, já não tanto. E o fato envolve também o desconhecimento da figura, coisa difícil de superar num partido pequeno, com parcos recursos, que não aceita fazer coligações e mesmo que eventualmente mude de estratégia as parcerias serão esquálidas.

Eis aí uma crônica precoce sobre a batalha que acontecerá no dia dois de outubro. Daqui, portanto, a cento e trinta e oito dias. Até lá, por suposto, muita água vai passar por baixo das muitas pontes de Santa Catarina. E algumas melancias ainda vão chacoalhar na traseira da carroça.