Historicamente, o Brasil conferiu pouca atenção ao ensino médio técnico-profissionalizante. Os dados indicam que, atualmente, 88,8% dos estudantes de ensino médio estão alocados no modelo público tradicional. Quando comparados aos índices da OCDE, os números são alarmantes: enquanto o Brasil possui apenas 11% de seus alunos no ensino técnico, a média da OCDE é de 44%. Em Santa Catarina, o cenário é ligeiramente melhor, mas ainda insuficiente: apenas 17,2% dos estudantes frequentam o ensino técnico. Em contrapartida, países desenvolvidos como Alemanha, Finlândia, Suíça e Áustria possuem cerca de 70% de seus jovens nesse modelo. Fica evidente que o Brasil, assim como Santa Catarina, ainda negligencia as políticas de educação profissionalizante.

É comprovado que o investimento no ensino técnico tem impacto direto na produtividade, na renda e no mercado de trabalho. Uma pesquisa realizada pelo Itaú, em parceria com o Insper, confirma que se o País dobrar o número de vagas no ensino técnico, o PIB poderá crescer 1,34%; caso triplique, o crescimento estimado é de 2,32%. Além disso, o trabalhador que conclui o ensino técnico ganha, em média, 32% a mais que aquele que cursou apenas o ensino médio tradicional. Portanto, investir nessa modalidade é fundamental, dado o significativo impacto econômico positivo.

Em Santa Catarina, é preciso avançar urgentemente na oferta dessas vagas. A carência atual precisa ser tratada como prioridade absoluta. Para que tenhamos sucesso, são fundamentais as parcerias público-privadas (PPPs) com instituições que já possuem estrutura física, professores qualificados e expertise. O Estado pode alocar recursos financeiros para que essas instituições ofereçam vagas gratuitas aos estudantes catarinenses, otimizando o investimento público.

Também é imprescindível atentar para a regionalização e a vocação local. Não faz sentido investir em formação voltada à metalurgia em regiões onde o foco econômico é, por exemplo, o agronegócio. É preciso conectar o ensino técnico à vocação econômica de cada região para garantir empregabilidade rápida. Quando o ensino está alinhado ao mercado de trabalho, os resultados em produtividade e renda são imediatos.

Outro aspecto crucial é o combate à evasão escolar. São necessários incentivos econômicos, como bolsas de apoio e estágios remunerados, para viabilizar a permanência do estudante na escola. Por fim, precisamos de uma mudança cultural: é necessário demonstrar que o ensino técnico não é um ponto final, mas um degrau estratégico para o ensino superior e para carreiras de alto rendimento.

É hora de firmarmos um pacto robusto pelo ensino médio profissionalizante em Santa Catarina, conectando a educação aos novos tempos econômicos e transformando potencial em riqueza, empregabilidade e renda.