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Em um cenário político cada vez mais influenciado pelas redes sociais, um equívoco persiste: acreditar que engajamento digital se traduz diretamente em voto. Números expressivos no Instagram, no TikTok ou no X podem projetar candidatos ao centro do debate público, mas não asseguram apoio eleitoral concreto. Às vésperas das eleições de 2026, partidos e analistas políticos têm observado com mais cautela essa diferença, ajustando suas apostas para além das métricas digitais.

Exemplos ajudam a ilustrar esse descompasso. O empresário e influenciador Pablo Marçal construiu uma base robusta nas redes, mas encontrou limites ao tentar converter visibilidade em capital político efetivo. No exterior, a celebridade Kim Kardashian demonstra como alcance global não equivale a influência eleitoral, enquanto no Brasil o humorista e ex-deputado Tiririca evidencia que fama pode ajudar, mas só se concretiza com votos reais dentro das regras do sistema.

A distância entre curtidas e votos se explica por fatores objetivos: muitos seguidores não são eleitores (por idade ou nacionalidade), o engajamento online costuma ser superficial e os algoritmos criam bolhas que ampliam percepções de apoio sem correspondência no mundo real. Além disso, o voto envolve decisão mais complexa, ligada a confiança, identificação e contexto local — elementos que vão além de um clique.

Para partidos políticos, essa distinção tem impacto direto nas estratégias para 2026. Apostar exclusivamente em nomes “virais” pode gerar campanhas barulhentas, porém frágeis nas urnas. O caminho mais consistente tem sido combinar presença digital com fatores que efetivamente contribuem para conquistar votos: construção de credibilidade ao longo do tempo, propostas claras e compreensíveis, presença territorial e contato direto com o eleitor, alianças políticas estruturadas, tempo de exposição em rádio e TV, além de identificação com demandas reais da população.

Do ponto de vista legal, o processo eleitoral brasileiro — regulado pelo Tribunal Superior Eleitoral — impõe limites importantes. A legislação permite o uso da internet nas campanhas, mas exige transparência no impulsionamento de conteúdo, restringe práticas abusivas e proíbe desinformação e uso indevido de recursos econômicos ou midiáticos. Essas regras, que seguem sendo aprimoradas para o pleito de 2026, atuam justamente para evitar que alcance digital desproporcional distorça a disputa.

Com o avanço de tecnologias como inteligência artificial e automação, a tendência é que o volume de conteúdo político online aumente ainda mais, tornando o cenário aparentemente mais favorável a quem domina as redes. Ainda assim, a lógica central permanece: visibilidade pode abrir caminho, mas não substitui a construção de apoio político real.

No fim, a urna continua sendo o filtro decisivo. Entre o “seguir” e o “votar”, existe uma diferença fundamental — e é nela que se define o resultado das eleições.