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Para corroborar a tese de que a audiência pública sobre o tema das pessoas em situação de rua foi improdutiva, observam-se seus desdobramentos: eles seguiram o mesmo caminho. É o caso da moção “anti-corote”, iniciativa da dupla Batalha e Castor, que surgiu sete dias após o ato consultivo, mais como uma peça de comunicação política do que como um instrumento legislativo efetivo.

Na audiência, Maurício Batalha mencionou diversas medidas de enfrentamento do tema -supostamente adotadas pelo Executivo -, mas não citou nenhuma de forma concreta. Castor, por sua vez, chegou a sugerir que os “defensores das pessoas em situação de rua” levassem-nas para casa, passando, na tribuna e ao vivo, o recibo de fracasso das políticas públicas do governo Carmen Zanotto – do qual ele faz parte -relacionadas ao tema.

Também não faltou, por parte da equipe do governo municipal, quem classificasse o tema como de alta complexidade. Chegou-se, inclusive, a criticar, ainda que sem citar nominalmente, modelos adotados em cidades como Chapecó, que atuam em múltiplas frentes, combinando medidas coercitivas, acompanhamento psicossocial e estratégias de reinserção no mercado de trabalho para aqueles que desejam.

Por outro lado, dias após a audiência – como já foi dito -, os dois vereadores queridos por Carmen Zanotto, em seus dias mais inspirados, conseguem produzir uma espécie de “moção intuitiva legislativa”, como a moção “anti-corote”, que, na prática, aponta para a restrição da venda de corote e similares às pessoas em situação de rua, apoiada em uma relação simplificada entre perturbação do sossego, desordem pública e o consumo de bebidas como o “corote”, sem apresentar dados, estudos ou qualquer elemento técnico que sustente essa associação.

Como isso seria operacionalizado?

Criando um catálogo de marcas de bebidas baratas? Criando um cordão de identificação de pessoa inapta à compra de corote? Transferindo aos comerciantes a responsabilidade de fiscalizar quem pode ou não consumir? Não tenho a mínima ideia.

Mas, enquanto lá em Chapecó a prefeitura age com equipe multidisciplinar na rua e caveirão, se for preciso, em Lages produz-se uma moção tímida, acanhada e inócua, tal qual se move o governo.