Transporte coletivo no Brasil: uma crise estrutural que compromete a produtividade, a saúde e o desenvolvimento

O Brasil é um país cuja mobilidade urbana e semiurbana é bastante precária. O sistema de transporte coletivo privilegia o transporte individual, e não o coletivo. As autoridades não conferem a devida importância ao tema, havendo pouca preocupação em melhorá-lo. A pauta surge apenas em períodos eleitorais; encerradas as eleições, tudo retorna ao estado anterior, sem mudanças significativas.

Há pouco interesse estrutural na melhoria do transporte coletivo. Uma possível explicação reside no fato de que as elites que detêm o poder econômico, político e jurídico não utilizam esse tipo de transporte. Seus deslocamentos ocorrem por vias alternativas, sem os mesmos congestionamentos. Por isso, a pauta não lhes é prioritária. Trata-se de um problema que atinge, sobretudo, as camadas economicamente mais vulneráveis, que enfrentam longos percursos em ônibus lotados, muitas vezes sem condições adequadas de conforto. Esses usuários vivenciam, diariamente, um verdadeiro desgaste para chegar ao trabalho e retornar para casa.
A deficiência do transporte coletivo, adequado e eficiente, repercute em diversas áreas. A mobilidade precária reduz a produtividade. Um trabalhador que despende, em média, quatro horas diárias em deslocamento sofre perda de energia e disposição, o que impacta diretamente seu rendimento. Além disso, tende a adoecer com maior frequência, aumentando as ausências no trabalho.
Os efeitos também são ambientais. Veículos parados no trânsito elevam o consumo de combustível e a emissão de gases poluentes, intensificando a degradação ambiental. Cidades mais poluídas geram mais doenças, o que novamente repercute na produtividade e na economia.
Nesse contexto, a negligência com o transporte coletivo gera prejuízos amplos, inclusive para aqueles que concentram poder. A queda de produtividade, o aumento dos custos com saúde e os impactos ambientais afetam toda a estrutura econômica.
Portanto, caso houvesse maior racionalidade e compromisso social, os esforços seriam direcionados à transformação do sistema de transporte coletivo. Os benefícios seriam generalizados: melhoria da economia, da saúde pública e do meio ambiente. Investir em transporte coletivo de qualidade é medida essencial para o desenvolvimento de um país mais produtivo e equilibrado.
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