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No livro da jornalista Cristiana Lôbo, intitulado “O que vi dos Presidentes – fatos e versões” ela relata a impressão que teve de cada um dos oito presidentes com quem, na sua atividade de repórter, se encontrou, conversou ou entrevistou. Entre eles, Fernando Collor de Mello. E sua avaliação é bem próxima da que eu próprio vim a ter, pessoalmente, do Collor já na Presidência: uma pessoa com boas ideias para o País, com alto grau de determinação, mas, vaidosa, dona da verdade, e com evidente inexperiência na política nacional.

A influência calamitosa das más companhias.

PC Farias na capa da Veja.

O jovem Presidente teve seu mandato interrompido, cassado pela corrupção praticada por um de seus melhores amigos e que tinha sido o mais próximo de seus auxiliares no período pré-eleitoral: Paulo Cesar Farias. Na ocasião, parecia claro que o Presidente, de alguma forma, se beneficiava dos achaques que seu amigo praticava contra empresários que queriam obter algum contrato, financiamento ou qualquer outra forma de apoio do Governo Federal.

Em Blumenau eu mesmo ouvi, de alguns deles, que era virtualmente impossível conseguir qualquer coisa em Brasília sem passar, antes pelo escritório de PC Farias, na rua Rocha Azevedo, em São Paulo, e contratar sua “consultoria”.

O office-boy também queria “o dele”.

E o mau exemplo permeava os múltiplos escalões da administração. Um importante empreiteiro de obras disse-me, à certa altura desses acontecimentos, que, “em Brasília, estava instaurada a bagunça”: “devido à disseminação da corrupção, todo mundo estava querendo ganhar alguma coisa”. No antigo DNER, por exemplo, “até o office-boy, para levar um documento de uma sala para outra, esperava receber sua parte da propina”.

Essa situação me faz recordar a famosa frase do jornalista Apparício Torelly, que usava, como humorista, o cognome de “Barão do Itararé: “Ou se instaura a moralidade, ou todos nos locupletemos”. Esse gracejo é de 1927, ainda na chamada Primeira República.

As arrasadoras revelações do irmão e do motorista.

Collor defendeu durante muito tempo a versão de que as ações de PC eram de iniciativa pessoal, sem seu conhecimento, e sem relação com o Governo. Mas, os depoimentos de seu irmão Pedro, em uma demolidora entrevista à Veja, e do seu motorista Eriberto França, à mesma revista, relatando o pagamento de despesas pessoais de Collor e sua esposa com cheques que eram coletados no escritório de Farias, resultaram em uma convicção quase unânime, na CPI então instalada, de que o Presidente deveria perder o mandato.

Uma vingança pelas humilhações.

Era notório também, na época, um encruado sentimento de revide por parte dos parlamentares que, durante todo o período em que Collor esteve o cargo, foram, praticamente todos, ignorados e desprezados por ele.

Absolvido e condenado.

Na Justiça, Collor foi absolvido, em 1994, juntamente com PC Farias, dos atos relacionados com o exercício da Presidência, e que tinham sido a causa determinante da sua cassação. O STF considerou que, do ponto de vista do direito criminal, eram insuficientes as provas constantes do processo.

Ele, entretanto, acabou condenado, em 2023, também pelo STF, e no âmbito da Lava-Jato, quando já era Senador. Dessa vez sua punição deveu-se a fatos ligados a casos de corrupção que teriam tido sua participação, ocorridos na BR Distribuidora. Sua pena, de 8 anos e 10 meses vem sendo cumprida em regime domiciliar na Capital de Alagoas.

Próxima coluna.

Afinal, na ótica de 1989, era Collor o melhor candidato?