Foto: Divulgação / Luiz Henrique da Silveira (25/2/1940 – 10/5/2015)

Meses antes de almoçar com a família em sua residência no Bairro Boa Vista em comemoração ao Dia das Mães, em 10 de maio de 2015, há exatos 11 anos, o senador Luiz Henrique da Silveira (MDB) já vinha trabalhando silenciosamente para retornar à Casa da Agronômica três anos depois. Um infarto fulminante quando subia as escadas após o almoço interrompeu seu plano e sua morte mudou o curso da política em Santa Catarina. Seu mandato de senador terminaria exatamente em 2018 e ele teria que escolher: mais oito anos confortáveis em Brasília ou voltar a disputar o governo do Estado. Quem o conheceu não tinha dúvidas que sua escolha seria voltar a Florianópolis aos 78 anos.

O projeto secreto

No início de 2015, em seu gabinete em Brasília, Luiz Henrique pediu ao seu assessor de comunicação José Gayoso Neves um levantamento com fotos de suas principais obras nos dois mandatos de governador (2003 a 2010). “Acho que ele já tinha a intenção de concorrer ao governo, mas nunca falou diretamente”, lembra o jornalista que o acompanhou desde a campanha franciscana de 2002. Outro amigo íntimo lembrou o fato dele ter contundido o tornozelo direito e, mesmo engessado, viajou dois dias depois para um município distante, também no início de 2015.

Mudança do cenário

Sua pré-candidatura seguramente não provocaria a divisão na “tríplice aliança” (MDB, PSD e PSDB) que aconteceu em 2018, quando o PSD do candidato a governador Gelson Merísio uniu Raimundo Colombo (PSD) e Esperidião Amin (PP) como candidatos ao senado na mesma coligação. Aliás, Colombo teve como suplente Jair Bellini do PP. Mauro Mariani (MDB) perdeu a eleição, mas elegeu Jorginho Mello (PR) em uma das vagas ao Senado. Não há dúvidas que o maior adversário de Luiz Henrique em 2018 seria o fenômeno Jair Bolsonaro em Santa Catarina.

Lucas Esmeraldino

O principal personagem da eleição de 2018 foi o candidato ao senado Lucas Esmeraldino, vereador reeleito de Tubarão pelo PSDB, cujo sonho era ser candidato ao senado. No PSL, tentou uma das vagas com a coligação de Gelson Merísio e não conseguiu porque ele já estava antecipadamente fechado com Amin e Colombo nas duas vagas disponíveis. O “radar” de Merísio não detectou o fenômeno 17, que meses depois acabaria elegendo Jair Bolsonaro presidente e Carlos Moisés governador. A astúcia política e a convivência nos bastidores de Brasília fariam Luiz Henrique perceber, com a devida antecedência, a “onda” Bolsonaro e certamente surfaria nela na campanha de 2018. Além disso, seu relacionamento com o PT de Haddad no Estado e em Joinville nunca passou de protocolar enquanto foi governador.

Merísio governador  

A História vai registrar que Merísio só não foi governador porque não cedeu uma das vagas ao senado para Lucas Esmeraldino. Se o fizesse, não existiria a candidatura Carlos Moisés, um ilustre desconhecido que até o início do ano era assessor de Esmeraldino na Câmara de Vereadores de Tubarão. “Eu conheci Moisés na visita que Esmeraldino fez em meu gabinete e me apresentou (o futuro governador) como seu assessor na Câmara de Vereadores”, lembrou o ex-deputado estadual Kennedy Nunes.

De assessor a governador em oito meses

Lucas Esmeraldino foi o vereador mais votado de Tubarão em 2012 com 2.346 votos e terceiro com 1.958 votos em 2016, sempre pelo PSDB. Ao assumir a presidência do PSL, não projetava ser candidato a governador e sim disputar uma das duas vagas ao senado. Procurou as duas principais coligações e não encontrou respaldo. Decidiu concorrer mesmo assim, mas precisava de um candidato a governador. Optou por seu funcionário legislativo por ser também coronel aposentado do Corpo de Bombeiros.

O fenômeno em Joinville

No primeiro turno de 2018 em Joinville, Carlos Moisés fez 112.825 votos para governador e Gelson Merísio 76.631. Mesmo tendo como suplente a viúva de Luiz Henrique, Ivete Appel da Silveira, Jorginho Mello (eleito) perdeu em Joinville para Lucas Esmeraldino por 93.714 a 132.139 votos. O cenário seria completamente distinto se Luiz Henrique tivesse disputado a eleição para governador.