Tida como vitrine do Estrada Boa, SC 477 coleciona irregularidades de acordo com órgão de controle

Sete meses após a conclusão do trecho da SC-477, em Canoinhas, período que coincide com a divulgação da análise do TCE/SC), a rodovia já apresenta sinais de trincas e rachaduras, o que reforça os achados técnicos apontados pelo órgão de controle.

Esta semana, viralizou um vídeo nas redes sociais com críticas às condições da rodovia, recentemente entregue. O governador Jorginho Mello, como é de praxe, não perdeu tempo e utilizou seus perfis para minimizar o caso: “são 33 quilômetros de concreto e apenas alguns metros com rachaduras”, afirmou.

A declaração, no entanto, soa como uma resposta política diante do conjunto de irregularidades apontadas na execução do programa. O relatório técnico do TCE/SC foi elaborado com base em amostras coletadas ao longo de toda a extensão da obra – e não em trechos pontuais -, o que contrasta com a tentativa de tratar o problema como algo isolado ou dentro da normalidade.

Relatório do TCE/SC foi assertivo

Em setembro de 2025, o programa Estrada Boa, do Governo do Estado, entrou na mira do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC). O Laboratório de Obras Rodoviárias da Corte realizou análises técnicas em contratos que somam mais de R$ 500 milhões.

Ao concluir a auditoria, foram identificadas diversas irregularidades, incluindo inconsistências técnicas, baixa qualidade de materiais, falhas na fiscalização e descumprimento contratual. No caso específico do contrato da SC-477, foram apontados indícios de superfaturamento, com possíveis elementos que podem caracterizar prática de corrupção.

À época, o jornalista Marcelo Lula noticiou que o MP/SC instaurou um inquérito civil público. O procedimento, ainda em curso, procura “investigar suposta prática de corrupção passiva na execução das obras. Os alvos da apuração estão sendo a Secretaria de Estado da Infraestrutura e a empresa CLC – Construtora Luiz Costa Ltda.

“Os pagamentos à empresa, com sede no Rio Grande do Norte, cresceram de forma significativa nos últimos anos. Segundo dados do Portal da Transparência, os repasses em contratos, agora alvo do MP/SC, saltaram de R$ 544 mil em 2023 para R$ 271 milhões em 2024 e R$ 237 milhões em 2025. Apenas nos primeiros meses de 2026, os pagamentos já somam mais R$ 9 milhões.

Na ocasião, a coluna procurou o secretário de Estado, Jerry Comper, e também a CLC; porém, ninguém se manifestou.” Escreveu Marcelo Lula em sua coluna.