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A audiência pública, para tratar do tema das pessoas em situação de rua, além de patética, deixou clara uma coisa: nada será resolvido no governo Carmen Zanotto.

As falas do proponente do ato, o vereador Maurício Batalha, da prefeita Carmen Zanotto e da Secretaria de Assistência Social não acrescentaram nada à coisa alguma. O presidente da Câmara declarou que diversas medidas estão sendo adotadas; Carmen disse que está trabalhando intensamente e que não admite a ideia de que a prefeitura esteja de braços cruzados diante do problema. Já Inês Salmoria falou em reeducação e inclusão social dessas pessoas.

Entretanto, ninguém do Executivo apresentou, de forma clara, quais medidas foram adotadas, nem trouxe qualquer dado concreto que indique algum avanço e, pior, não conseguiram, de modo minimamente eficiente, apontar um norte para o controle ou a solução do caso em questão.

A parte circense da audiência ficou por conta da turma da esquerda, na plateia, que, com histeria e má educação de alguns, acabou dando palco para o vereador Castor (PL) usar jargões desinteligentes, que fazem muito sucesso na classe média neopentecostal (seu público, inclusive).

“Façam uma campanha: adotem um morador de rua; aqui em Lages não vai se criar. Façam um almoço de domingo e levem-nos para as suas casas”, disse Castor, após ser hostilizado com vaias e interrupções, antes e durante a sua fala.

Modelo de Chapecó

Boa parte dos vereadores elogiou, enquanto outros criticaram, ainda que indiretamente, a forma como a maior cidade do Oeste trata o tema.

O modelo híbrido de repressão com suporte, adotado na gestão do prefeito João Rodrigues, combina elementos típicos de políticas de controle urbano com mecanismos de inclusão social. De um lado, a repressão atua sobre a permanência de pessoas em situação de rua, moldando comportamentos e desestimulando a ocupação do espaço público. De outro, a abordagem de suporte é realizada de modo coercitivo, ao mesmo tempo em que oferece alternativas como acolhimento e encaminhamento social.

É preciso destacar que a cultura de tolerância zero não resolve o problema de forma estrutural, mas, a curto prazo, serve como mecanismo de controle, inibindo a chegada de pessoas em situação de rua de outros estados e cidades.

Modelos como o de Chapecó mostram que é possível combinar controle urbano com algum nível de suporte social, ainda que de forma questionável. Em Lages, nem isso: não há modelo, não há dados, não há direção.