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Paulo Gouvêa

Pelé, rei incontestável – Coluna do Paulo Gouvêa

O Rei Pelé deixou afinal o jogo da vida. E silenciaram as alegações de alguns mal-informados ou patrioteiros de que Diego Maradona foi melhor do que ele, talvez também Lionel Messi. Por favor, hermanos, nada a ver. O craque argentino do passado foi um excelente jogador de futebol, assim como foi Ronaldo e Ronaldinho, Zico e tantos outros. Messi também é. Mas, Edson Arantes do Nascimento foi muito mais do que isso. Ele transformou o futebol numa nova arte. A oitava arte, uma que reúne elementos do esporte com a dança e com o xadrez que é tido como esporte e é um jogo de pura estratégia. Jogadores de futebol participam de uma disputa esportiva. Pelé estrelava espetáculos multifacetados.

Entre as diversas razões dessa diferença está o fato de que o brasileiro fez inúmeros gols de cabeça. Diferentemente, Maradona não teve essa qualidade e seu conterrâneo também não. Aliás, é oportuno lembrar que o raro gol feito dessa forma pelo primeiro, foi feito com a mão. E sempre paira a dúvida sobre o quanto ele já estava turbinado por outros fatores nos momentos em que realizou suas principais façanhas. Mas, independentemente disso, o fato indiscutível é que Pelé era também mais veloz, mais forte, mais elástico. Algum especialista no assunto comentou certa vez que, se nosso Rei, fosse para uma Olimpíada disputar, por exemplo, uma prova de velocidade, sairia de lá com uma medalha. Ele tinha também uma visão periférica 30% maior que a média dos demais atletas do mundo. É como se dispusesse de um terceiro olho. Pelé foi um prodígio de outra natureza.

Todos os grandes jogadores de futebol são capazes de fazer gols com qualquer das duas pernas, mas, todos eles têm preferência por uma delas e vez por outra, procurando ajeitar o chute de modo a usar o pé mais hábil, perdem por um segundo a chance de colocar a bola no seu destino. Pelé talvez tenha sido o único futebolista reconhecidamente ambidestro, aquele que tem capacidade idêntica em ambas as pernas.

Embora haja contagens restritivas que subtraem bolas que Pelé enfiou nas redes – os 9, por exemplo, que fez pela Seleção Paulista – ele tem no currículo 1.283 gols e outros craques nem chegaram perto. E ganhou três copas, fez gols nas três. Pelé é inigualável.

Como se soletra o nome desse cara?

O extraordinário desempenho do Rei nos gramados foi o resultado da soma daquelas aptidões físicas e atléticas com uma forte consciência profissional e, coroando tudo, um talento único, uma dádiva de Deus e da Natureza. Daí resulta a maneira como o mundo todo via o brasileiro. Na Copa do Mundo de 1970, durante o jogo entre Brasil e Inglaterra, o locutor de uma TV inglesa, maravilhado com o que Pelé estava fazendo em campo, perguntou ao seu colega comentarista do jogo: “Como se soletra o nome de Pelé? ”. E o outro respondeu: G.O.D.

Quem deve suceder Tite?

E já que hoje resolvemos tratar de futebol, aí vai um pitaco: acho que, dos brasileiros, Mano Menezes é o melhor. Dorival é meia boca, meio murcho, Fernando Diniz não tem temperamento para o cargo. Técnico que xinga jogadores, de maneira humilhante, durante uma partida, não pode ser levado a sério. E, se a CBF achar que santo de casa não fará milagre, a solução evidente é Abel Ferreira, do Palmeiras.