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Paulo Gouvêa

BOLSONARO E LULA TOCANDO SANFONA – Coluna do Paulo Gouvêa

Porque, afinal, Jair Bolsonaro, funciona, politicamente, feito uma sanfona? Indo para lá e para cá? Um dia ele atiça a fogueira com suas declarações extremistas, desarrazoadas, provocantes. No outro, meio que pede desculpas, defende as instituições democráticas, joga água na fervura e (até isto!) sai a catar Alexandre Moraes, ministro do Supremo e inimigo favorito, para lhe dar um aperto de mão. Ele toca esse lado calmo da sanfona pela mesma razão que Lula da Silva muitas vezes posa de bom velhinho e até convida, para ser seu candidato a vice, o ex-tucano, muito conservador, Geraldo Alkmin.
Os dois atuais favoritos da eleição notoriamente não se destacam pelo saber e pela cultura, mas, de bobos não têm nada. Fazem gestos conciliatórios e moderados porque sabem que os votos de seus mais exaltados seguidores, os ideológicos de um e do outro lado, não são suficientes para eleger um presidente. Ambos sentem a necessidade mercadológica de atrair eleitores que não são bem os seus, gente que não faz parte dos amigos de fé, irmãos camaradas. Falta-lhes a parte do eleitorado que está no meio e que pode decidir a eleição para um lado ou para outro. Mas, quando esses ficam chateados, eles voltam a arranhar os acordes fortes da gaita.

TUCANOS SE BICANDO E EMEDEBISTAS RACHADOS.
O aspecto curioso dessa história das sanfonas é que os demais partidos e pré-candidatos, os que já têm naturalmente o encanto que o eleitor do centro deseja e procura, não parecem mostrar muito interesse em buscar o voto desse povo todo do centro democrático. O velho MDB de guerra está confirmando sua fama de não ser exatamente uma agremiação partidária, mas sim uma confederação de partidos. Sua banda nordestina toca os forrós que o povo de lá gosta de ouvir e dançar: os acordes do estilo de Lula. E seu lado sulista prefere tons mais suaves e menos rústicos: o modelo de Simone Tebet.
O tucanato parecer estar seguindo o exemplo do pai MDB, seu partido de origem do qual se separou há 34 anos. Nesse período pré-eleitoral o PSDB vinha exibindo alas bem distintas umas das outras. Tinha a do Dória, que agora sabiamente caiu fora, a do Aécio, a de Bruno Dantas e Eduardo Leite. A primeira queria ter um candidato próprio a presidente cujo nome só podia ser o dele mesmo. Não deu certo, como se viu. O segundo não quer candidato algum. E o terceiro está costurando a aliança com MDB e Cidadania para que Tebet seja candidata. Hoje essas congregações só não batem cabeça porque os bicos grandes não permitem. Mas, ainda estão se bicando bastante.

EPÍLOGO: A DERRADEIRA CHANCE.

E o fato é que esta candidatura a da Senadora Simone Tebet, do dividido MDB, com apoio do igualmente disperso PSDB e do pequeno Cidadania, parece ser a única e derradeira oportunidade de uma proposta tipo terceira via. Sergio Moro ao que tudo indica ficou pelo caminho e ninguém o está ajudando a encontrar a via do retorno. Dória jogou errado. O União Brasil marcou data de um acerto a oito mãos e depois debandou. Pode ainda voltar ao bloco, mas não é provável. Até aqui, ficou Simone. E é um bom nome. Agora é ela ou algum dramático acontecimento de última hora. Ou ficar ouvindo Jair e Luiz com suas sanfonas, tocando música de má qualidade.