Turismo precisa de crédito – Coluna do Vinicius Lummertz

Ao longo dos anos transformei o Turismo numa bandeira – e tenho a feliz satisfação de poder dizer que hoje consigo mobilizar um exército de seguidores. Acredito piamente que Turismo&Viagens é um fator primordial para a felicidade humana. Com a pandemia, finalmente um contingente considerável de habitantes do planeta passou a dar ao Turismo, às viagens e às experiências culturais e de convivência proporcionadas por eles, um valor que talvez não desse antes do isolamento e das restrições de deslocamento.

Enfim, nesta bandeira que carrego tenho pregado que Turismo&Viagens é uma dimensão econômica que puxa os demais vagões das demais atividades econômicas – e não ao contrário, como ensinam obsoletos manuais de economia e vestutos economistas. Em resumo: Turismo nos faz felizes e é uma alavanca de desenvolvimento mundial, criando emprego e renda para milhões e milhões de pessoas – o que, indubitavelmente, também faz delas pessoas mais felizes. Esta é a filosofia e a convicção que nos movem em favor do Turismo. Mas, na prática – e muito mais agora que buscamos sair de uma crise sem precedentes – além de palavras e conceitos, o que o Turismo precisa é de crédito, em todo o país e, é claro, também em Santa Catarina, onde isso é fundamental e urgente.

Bem antes da pandemia, em setembro de 2019, já vinhamos fazendo isso em São Paulo. O Programa de Crédito Turístico, pioneiro no estado, completou um ano no mês passado somando a injeção de R$ 1,16 bilhão no setor. A iniciativa da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo (Setur) e do Desenvolve SP, instituição financeira do Governo do Estado, é a maior ação de um estado brasileiro para o setor e tem como objetivo promover o crescimento sustentável de negócios. Foram investidos R$ 457 milhões em 172 projetos públicos (117) e da iniciativa privada (55). O valor beneficiou secretarias municipais de turismo, empresas da área de alimentação, hotelaria, agências de viagem e ligadas a aviação e eventos.

Com a evolução da pandemia e seus impactos, o Programa de Crédito Turístico foi adaptado como forma de ajudar o setor a atravessar o período, facilitando o acesso ao capital de giro para cobrir despesas fixas e operacionais de empresa, como salários de funcionários, dívidas com fornecedores, pagamento de aluguéis, entre outras. Para este fim, foram concedidos até o momento R$ 707 milhões a duas mil empresas em seis meses de quarentena. Além do Desenvolve SP e Secretaria de Turismo, participam do programa a Caixa Econômica, o Banco do Brasil, o BNDES, o Banco do Povo, a agência paulista de desenvolvimento InvestSP e o Sebrae SP. Há opções de bancos privados, cooperativas de crédito e empresas que desenvolvem produtos financeiros totalmente digitais, como as fintechs.

Para facilitar o acesso, a Secretaria de Turismo lançou uma cartilha com as principais informações sobre as linhas de crédito, os bancos parceiros e o passo a passo. Os documentos podem ser encaminhados à distância e a escolha da modalidade pode ser feita sem a necessidade de deslocamentos até uma agência ou unidade física. Também foram realizados 18 eventos online para o setor, entre março e agosto. Este mês, o Ministério do Turismo e o Desenvolve SP fecharam parceria para destinação de mais R$ 400 milhões a empresas do setor turístico pelas linhas de crédito do Fundo Geral do Turismo – Fungetur. O aditivo amplia a capacidade de auxiliar a recuperação e retomada das empresas turísticas paulistas.

Mas fomos além: a Setur/SP e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) oficializaram um acordo de cooperação técnica com foco na retomada econômica das atividades turísticas. O acordo permitirá o desenvolvimento de projetos que pautem uma recuperação sustentável do turismo no Estado, bem como a elaboração de estudos complementares que apoiem futuros pedidos de financiamento internacional. A cooperação prevê a doação de US$ 250 mil, tendo como beneficiária a Setur/SP, a serem investidos em três frentes: elaboração de um plano com estratégias e ações de médio e longo prazo; realização de estudos complementares para apoiar a implantação do plano; e um estudo de apoio à melhoria da dinâmica de concessão de crédito para o setor.

Os recursos virão do Programa Estratégico para o Desenvolvimento de Sustentabilidade do BID e a cooperação técnica terá a duração de 18 meses. Importante destacar que também estamos estudando com o BID uma proposta de empréstimo de 500 milhões de dólares para o turismo de São Paulo. Voltando ao começo: é preciso irrigar a economia do Turismo para que possamos nos recuperar rapidamente, em todo o país e especialmente em Santa Catarina. Lembrando que, para atingir esse objetivo, não basta dinheiro: é preciso ter projetos sólidos e exequíveis, de curto, médio e longo prazos, e que contemplem uma estratégia estadual com visão harmônica de todas as regiões turísticas catarinenses.