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BNDES César Filomeno Fontes Raquel Dodge Secretaria de Estado da Fazenda TCE/SC

Dodge pede a condenação de conselheiro do Tribunal de Contas de Santa Catarina

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu a condenação do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE/SC), Cesar Filomeno Fontes, e do servidor Luiz Carlos Wisintainer por falsidade ideológica.

César Filomeno Fontes

Em agosto do ano passado, eles se tornaram réus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) por conta da emissão de certidões falsas para garantir ao Estado, o acesso a linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Em manifestação enviada ontem ao STJ, em alegações finais nos autos da Ação Penal (APn) 847, Dodge reitera a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal, em 2017.

No documento, a procuradora-geral rebate argumentos da defesa como a ausência de qualquer informação inverídica nas certidões. Segundo ela, “conforme consta da denúncia, a acusação não diz respeito à inserção de informação falsa, mas, sim, à de ‘fazer inserir declaração diversa da que devia estar escrita’”. A PGR também questiona que a questão que interessa ao processo penal é: “O conteúdo atestado nas certidões era aquele que delas devia constar, ou melhor, guardava fidelidade ao que fora decidido pelo TCE/SC no julgamento das contas estaduais?”.

Descumprimento da Lei

Raquel Dodge explica que a Secretaria de Fazenda de Santa Catarina solicitou, com base no artigo 212 da Constituição Federal, a expedição de certidões atestando a realização de gastos em educação no percentual mínimo previsto no dispositivo. De acordo com ela, o fato juridicamente relevante é o cumprimento ou descumprimento, pelo Estado, dos gastos mínimos com educação, no percentual de 25% das rendas de impostos e transferências entre as unidades da federação. “O TCE/SC expressamente consignou o descumprimento deste mínimo, posto que foram efetivados apenas 22,35% em gastos com manutenção e desenvolvimento do ensino”, aponta na manifestação.

A PGR pontua que a forma como as certidões foram redigidas claramente alterou a verdade porque nelas consignou-se que “o percentual aplicado em manutenção e desenvolvimento do ensino no exercício 2011, consideradas as despesas admitidas pelo Tribunal de Contas, correspondeu a 26,57% da Receita Líquida de Impostos e Transferências”.

Para Dodge, a relevância jurídica do fato em questão é indeclinável, sendo depreendida do próprio sentido dos ofícios pelos quais se pediu a confecção das certidões. Ou seja, somente a satisfação dos requisitos do artigo 212 da Constituição possibilitaria ao estado de Santa Catarina realizar operações de crédito em condições vantajosas perante o BNDES, e com a garantia da União. Segundo ela, o descumprimento do percentual tem relevância muito mais abrangente, porque pode inserir o Estado no cadastro de inadimplentes da Administração Pública Federal, inviabilizando a realização de convênios, de contrair empréstimos e receber transferências voluntárias. “Inegável, assim, a relevância jurídica do fato cuja verdade foi escamoteada nas certidões emitidas sob a assinatura de César Filomeno Fontes”, sustenta.

Contraponto

A assessoria de comunicação do TCE, informou que o conselheiro, César Filomeno Fontes, não irá se manifestar. O mesmo cabe ao Tribunal que alega não ser parte no processo. Quanto ao servidor, a assessoria tenta encontrá-lo para verificar se ele deseja se manifestar.