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O ex-governador Raimundo Colombo concedeu, ainda nos tempos de Senado, uma entrevista ao jornalista Vânio Bossle em que afirmou: “não gosto do Legislativo e não disputo mais”. Hoje, depois de duas derrotas consecutivas na disputa ao Senado, Raimundo muda de ideia para concorrer a uma vaga de deputado federal e interromper um período de quase uma década sem mandato.

Em Lages, a situação não é das mais favoráveis. Embora tenha sido um político visionário e marcado por grandes realizações, parte do eleitorado não esquece a gestão desastrosa de Antonio Ceron à frente da prefeitura, sustentada pelo aval político do ex-governador. Esse é um dos fatores que explicam seu alto índice de rejeição.

Sem um grupo político consolidado, dos três vereadores do PSD em Lages, dois não devem apoiá-lo. Um deles é Ozair Coelho, que mantém forte ligação com o deputado estadual Julio Garcia, relação fortalecida pelo volume de demandas atendidas; algo que nenhum outro parlamentar, até o momento, conseguiu superar.

Raimundo Colombo tem prestígio e legado. Mais troféus para colocar na parede do que gente efetivamente engajada em sua pré-campanha. Perdeu, ao longo do tempo, o contato com o povo e parte da capacidade de mobilização política.

O cenário é muito diferente do construído pela prefeita Carmen Zanotto, que conseguiu aglutinar ao seu redor um grupo jovem e uma nova geração de lideranças políticas. O reflexo disso será percebido já na Festa Nacional do Pinhão, reconfigurada após décadas sendo conduzida apenas pela “obrigação de fazer”.

Caso seja eleito, o ex-governador terá uma tarefa duríssima: fazer o que não conseguiu em quase 50 anos de vida pública, que seria de renovar o partido e desenvolver novas lideranças. Improvável.
Portanto, um mandato de deputado federal, ao que tudo indica, deverá servir apenas para a sobrevivência política de quem precisa sustentar um legado.