EXCLUSIVO: Saques, encontros e transferências: os bastidores da suposta rachadinha em Blumenau
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Blumenau passa por um dos momentos mais tensos de sua história. Somente na semana passada, três operações do Gaeco na Prefeitura apuraram supostos esquemas de corrupção que vão desde a merenda escolar até a segurança das escolas, entre outras suspeitas. Além disso, as investigações sobre supostas rachadinhas na Câmara de Vereadores e até mesmo a possibilidade de cassação do ex-presidente do Legislativo, Almir Vieira (Progressistas), fragilizaram o cenário político local.
A investigação da Polícia Civil que apura um suposto esquema de rachadinha na Câmara detalha uma série de movimentações financeiras, saques em dinheiro vivo e deslocamentos considerados suspeitos envolvendo o empresário Thiarles Reginaldo de Souza, proprietário da agência Tempero Propaganda Ltda., contratada pelo Legislativo municipal.
Segundo a representação policial, parte dos pagamentos feitos à empresa teria sido revertida em espécie a Vieira, com suposta participação de assessores ligados ao gabinete parlamentar.
O relatório aponta que o monitoramento policial identificou encontros presenciais recorrentes entre os investigados em datas compatíveis com saques bancários realizados por Thiarles. A Polícia afirma que a análise dos extratos revelou retiradas fracionadas de R$ 109,8 mil entre 2 de abril e 26 de setembro de 2024, por meio de 25 saques em espécie realizados em agência do Sicoob.
Os investigadores sustentam que várias dessas retiradas coincidiram com viagens do empresário até Blumenau.

Um dos episódios destacados pela investigação ocorreu em 14 de junho de 2024, uma sexta-feira. Segundo o relatório, veículos de Almir Vieira, um Volvo XC60, e de Thiarles, um Ford Focus, foram flagrados no estacionamento privativo da Câmara de Blumenau. A Polícia destaca que, apenas no mês de junho, Thiarles realizou saques que somaram R$ 6 mil.
Outro fato citado ocorreu em 18 de julho de 2024. Conforme o monitoramento policial, o assessor Wagner Schanaider teria desembarcado do veículo de Thiarles, um Ford Focus, nas proximidades da Câmara Municipal. Os investigadores afirmam que os saques feitos por Thiarles naquele mês chegaram a R$ 29,4 mil.
Já em 24 de agosto de 2024, um sábado, Thiarles foi visto, segundo a Polícia, dirigindo um Jeep Compass até a residência de Wagner Schanaider, no Condomínio dos Sagres. O relatório aponta que os saques realizados pelo empresário em agosto totalizaram R$ 12 mil.
A Polícia Civil afirma ainda que, no período analisado, Thiarles deslocou-se ao menos oito vezes para Blumenau em datas consideradas compatíveis com as movimentações financeiras investigadas.
Contrato milionário
O relatório policial também traz detalhes sobre os contratos da Tempero Propaganda com a Câmara de Blumenau. Segundo os investigadores, a empresa recebeu aproximadamente R$ 3,83 milhões em recursos públicos. A Polícia destaca que Wagner Schanaider aparecia como gestor e fiscal do contrato firmado com a agência, o que, segundo a investigação, poderia ter facilitado as supostas transações ilícitas.
A representação policial afirma que parte dos pagamentos feitos à empresa era revertida em dinheiro vivo ao vereador Almir Vieira, com a intermediação de Thiarles e dos assessores Wagner e Daniela Greise Altini.
Núcleo do esquema
De acordo com a investigação, o núcleo central do suposto esquema seria formado por Almir Vieira, sua esposa, Mara Andreia Brandes Vieira, Wagner Schanaider e Daniela Greise Altini. A Polícia afirma que Mara seria responsável por administrar recursos obtidos pelo grupo e utilizar contas bancárias para facilitar movimentações financeiras.
Conversas obtidas após quebra de sigilo telemático também são citadas na representação. Em um dos diálogos anexados ao processo, Almir encaminha um vídeo de uma ex-servidora denunciando práticas supostamente irregulares. Mara responde: “Quando a mordomia acaba, eles jogam tudo no ventilador”.
Transferências e suspeitas
A investigação também identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis entre assessores, pessoas próximas ao grupo político e familiares de servidores comissionados.
Entre os casos citados está o de Jéssica Jarisa Avi, filha de Aristeu José Avi, servidor comissionado da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes de Blumenau, apontado como indicação política de Almir Vieira.
Segundo a Polícia, foram identificadas 22 transferências para contas de Mara Vieira, totalizando R$ 10.259. Também foram localizados 25 repasses feitos por Brenda Eduarda Wachholz para Daniela Greise Altini, somando R$ 10.626,11. Conforme a investigação, Brenda ocupava cargo comissionado vinculado ao gabinete de Vieira.
Para os investigadores, os depósitos reforçam a suspeita da prática conhecida como rachadinha, caracterizada pela devolução de parte dos salários de servidores comissionados.
Contraponto
A coluna segue tentando contato com o vereador afastado Almir Vieira. Também foi tentado contato com Thiarles, mas ele ainda não retornou. Brenda também foi procurada e não respondeu. Estamos tentando contato com os demais citados. O espaço está aberto a todos.
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