HISTÓRIAS DA POLÍTICA CATARINENSE que a História não contou: A conversa amistosa do Prefeito Vilson Kleinubing (PFL) com o Governador Casildo Maldaner (PMDB).

Nas primeiras semanas de 1990, a necessidade de obter recursos novos para obras em Blumenau, levou o então Prefeito Vilson Kleinubing, a buscar ajuda no Governo estadual. Tendo como praticamente confirmada sua renúncia em abril, para concorrer a Governador, Vilson precisava dar partida a obras e serviços que faziam parte de seu Plano de Governo na Prefeitura e ainda estavam pendentes de financiamento. Já tendo esgotado outras alternativas, decidiu partir para um difícil diálogo em Florianópolis: entre o então atual Governador de Santa Catarina e o provável adversário de seu partido na eleição daquele mesmo ano. E levou-me com ele. Foi nesta privilegiada posição, de estar sentado à mesma mesa, que observei o encontro.

Maldaner, Vice de Pedro Ivo na eleição de 1986.

Governador Pedro Ivo. Wikipedia.
Maldaner tinha sido o candidato a Vice-Governador de Pedro Ivo Campos, eleito em 1986, derrotando o próprio Vilson Kleinubing. Vilson ficou em segundo lugar, posição que foi vista como uma “vitória moral” para ele: inscrito no recém-criado PFL, ainda muito pequeno em Santa Catarina, fez quase o dobro dos votos do concorrente que disputava dentro da sua área política, Amílcar Gazaniga, do PDS, apadrinhado pelo então Governador Esperidião Amin.
A esta circunstância somou-se outro fenômeno: a vitória de Vilson no município de Blumenau. Devido à divisão dos votos do mesmo bloco político (PDS e PFL separados devido à divergência de rumos entre Jorge Bornhausen e Amin), ele não conseguiu vencer em nenhuma outra das cinco maiores cidades do Estado. Mas, foi o vitorioso naquela que, na época, era a terceira maior delas.
Este episódio está na origem da eleição de Vilson para a Prefeitura de Blumenau, dois anos mais tarde, e, a seguir, para o Governo do Estado.
Maldaner, Governador em 1990.


Com a doença e subsequente morte de Pedro Ivo em fevereiro de 1990, Maldaner tornou-se Governador e foi nessa situação, recém-empossado, que fomos encontrá-lo em Florianópolis.
Ele deu a impressão de ainda não ter se acostumado com o novo status. Parecia um pouco inseguro, porque aquela, provavelmente, era sua primeira audiência com alguém que jogava em outro time. No entanto, foi afável, simpático, amistoso, características essas que, como verifiquei ao longo dos anos subsequentes, eram marcas fortes da sua personalidade.
A conversa amena e a negativa ensaiada.
A conversa foi, de parte a parte, muito respeitosa e amigável. Porém, no que dizia respeito ao assunto que motivara a reunião – ajuda estadual para obras em Blumenau – o Governador pareceu ter decorado um pequeno discurso, possivelmente repassado por seu Secretário da Fazenda: os recursos eram muito escassos, a arrecadação não estava se comportando bem, havia uma quantidade enorme de pedidos e ele, há tão pouco tempo no cargo, não tinha como assumir compromissos financeiros com uma Prefeitura sob pena de ficar obrigado a atender diversas outras, especialmente de seu próprio partido.
Fazia sentido. Mas, Vilson Kleinubing acreditava ter um bom argumento para se contrapor ao raciocínio de Casildo Maldaner.
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A inusitada reação de Maldaner a uma sugestão de Kleinubing.
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