Outdoor na Av. Presidente Kennedy (Foto: Allisson Paixão/OitoMeia)

Com raciocínio rápido, excelente oratória e conteúdo de certa profundidade, o outsider Renan Santos percorre o “Brasil dos contrastes”, expondo suas mazelas sociais, políticas e econômicas. De acordo com ele, resultado do modelo de governança petista e, mais recentemente, da política da polarização, da qual se coloca em rota de colisão quase permanente.

Renan vocaliza o que pensa o eleitor moderado e, principalmente, o público jovem. Em suas falas, busca demonstrar o quanto o maniqueísmo da polarização atrasa o Brasil. Para os mais novos, critica ainda a estética “cringe” daquilo que ele próprio classifica como bolsopetismo.

Se, por um lado, seu discurso se aproxima de grande parte dos eleitores de centro-direita, por outro, a estética de sua persona não o torna palatável. Com postura e falas excessivamente agressivas, assumindo o outro lado da moeda da extrema esquerda, acaba se afastando do eleitorado que defende mudanças com equilíbrio e moderação: o conteúdo é bom, mas o rótulo carrega o mesmo ódio da polarização.

No entanto, dentro do MISSÃO, percebe-se que tudo é muito bem calculado. Renan sabe que a forma como comunica seu discurso não agrada a ponto de torná-lo um candidato competitivo, mas é extremamente estratégica para quem entende que a política contemporânea se organiza e se escala em blocos.

O discurso escolhido é atemporal, enquanto a estética pode ser repensada a cada nova eleição, como ocorreu com Lula ao longo de sua trajetória até chegar ao Palácio do Planalto.

Pessoas em situação de rua

Estavam na comitiva de Renan políticos e ativistas do litoral e do norte do estado. O vereador Mateus Batista, de Joinville, falou como entusiasta do modelo de enfrentamento adotado em Chapecó. Disse ser o responsável por levá-lo para Joinville e que tem contribuído para sua implementação.

O formato já é referência no Brasil. Em Chapecó, cidade duas vezes maior que Lages, funcionou. Joinville tende a seguir o mesmo caminho. Já em Lages, a prefeita e seus vereadores o criticam sem apresentar uma única alternativa.

Cooperativismo agrícola

Ainda em Lages, Renan esteve na cooperativa agrícola COOPERPLAM, onde destacou sua função estratégica para o desenvolvimento de cidades da Serra e do Oeste catarinense. Segundo ele, trata-se de uma excelente alternativa para competir em uma economia de escala, por meio da compra de insumos e matéria-prima mais baratos e do compartilhamento de estruturas.

Na sua avaliação, esse modelo constitui a base da economia de muitos municípios pequenos do Sul do país. Trata-se também de algo estratégico a ser implantado em cidades do Nordeste, que têm potencial para se beneficiar dessa lógica e se tornarem mais autossuficientes.