HISTÓRIAS DA POLÍTICA CATARINENSE que a História não contou: Onde buscar recursos para cumprir as promessas.

Em meados de 1989, um dos grandes problemas na organizada, mas, agitada cabeça de Vilson Kleinubing, era o fato de que vários de seus compromissos, assumidos durante a campanha eleitoral do ano anterior, tinham como prazo de vencimento o momento em que ele deixasse o cargo de Prefeito.

Mesmo tendo assegurado a seus eleitores que não sairia do posto antes de terminados os quatro anos de mandato, ele sabia que a política e o destino poderiam encerrar mais cedo sua administração e levá-lo para uma nova e mais importante batalha: aquela cujo prêmio era o Governo do Estado. Isso não seria decidido unilateralmente por ele e nem tampouco pelo seu partido, mas, poderia ser determinado pelo destinatário daquela promessa: o próprio povo de Blumenau.
A sensação do Prefeito era de que os prazos poderiam estar derretendo.
Buscando financiamentos de países distantes.

Aproveitando visita do Embaixador da Alemanha no Brasil a Blumenau, o Prefeito Vilson e eu tivemos uma proveitosa conversa com ele. Também esteve presente o Secretário Marcelo Rego, da Comunicação. O organizador do evento (e intérprete) foi o importante empresário e Cônsul da Alemanha em Blumenau, Hans Prayon, falecido em 29 de março de 2026. Ele era bisneto de Hermann Hering, fundador da empresa que leva seu nome. E falava Alemão melhor que o Português.
O diálogo passou pela possibilidade de intercâmbios culturais e turísticos, troca de experiências entre municípios de características semelhantes, visitas de gente daqui à Oktoberfest de Munique e vice-versa. E ainda, claro, sobre eventuais financiamentos. Mas, justamente nessa área mais premente, as possíveis decisões exigiam prazos bem longos.
Outra oportunidade parecia ter surgido na reunião com o consultor do Fundo Nakasone/Eximbank do Japão, Koichi Inada, que aceitou incluir algum projeto daqui no grande pacote que o Governo Brasileiro negociava com o Fundo. Foram examinadas alternativas nas áreas da habitação, saneamento e infraestrutura urbana. Mas, tudo dependia de Brasília e o Presidente da época era José Sarney.

O dinheiro gerado em Blumenau já tinha destino certo.
Diante da possibilidade, na época ainda envolta em nevoeiro, de que o final da Administração Kleinubing pudesse ser mais breve que o período inicialmente previsto, era preciso antecipar a realização do que fora prometido. Teria de se fazer ou, pelo menos, deixar encaminhado, em 15 meses o que, em principio, seria feito em 48.
Para tanto, o Prefeito necessitava buscar recursos outros que não os da já comprometida arrecadação municipal – cuja disponibilidade estava submetida à rigorosa economia que ele mesmo havia implantado na Prefeitura. E que, por essa razão, mal dava conta das despesas básicas, como as do funcionalismo, e com os trabalhos de manutenção das vias urbanas, escolas, postos de saúde, etc.
Obras novas, de maior porte, como a reforma e ampliação da rua Bahia – importante novo eixo viário da cidade – careciam de novos e maiores recursos financeiros.
Próxima coluna.

Era preciso garimpar mais perto, começando por Brasília. E de olho no calendário.
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