CEO da Tupy renuncia e motivos não foram divulgados
Acesse o nosso Canal no WhatsApp!
Criamos um canal oficial no WhatsApp — e você já pode fazer parte!
Mais agilidade, mais bastidores, mais DENÚNCIAS direto no seu celular.
Sem grupos, sem conversas, só informação exclusiva, com a credibilidade do SCemPauta.
Acesse e siga agora:
https://whatsapp.com/channel/0029Vb6oYQTEgGfKVzALc53t
E NÃO ESQUEÇA DE ATIVAR O SININHO PARA RECEBER TUDO EM TEMPO REAL!

Com uma genérica justificativa de “assuntos particulares”, Rafael Lucchesi Ramacciotti, 59 anos, pediu demissão do cargo de diretor-presidente da Tupy e o deixará exatamente 1 ano após assumir em 1º de abril de 2025. Até pode ter ocorrido os motivos pessoais alegados, mas certamente houve “motivos profissionais”. Afinal, quando assumiu em abril do ano passado, o “rating” Global da Tupy era de BB estável (Fich). Não por coincidência, uma semana antes de apresentar sua carta-renúncia, o rating global caiu para BB negativo (S&P) depois do balanço do quarto trimestre revelar R$ 626,5 de prejuízo.
Mistérios
A surpresa com a misteriosa saída de Fernando de Rizzo da Tupy há um ano foi ainda maior do que a recente renúncia de Ramacciotti. Na empresa desde que ingressou como estagiário na subsidiária de São Paulo (Fundição Mauá), o engenheiro Rizzo fez carreira na Tupy e assumiu os mais importantes cargos, como a vice-presidente de vendas e marketing (2004 a 2012) aos 32 anos, diretor da unidade automotiva (90% do faturamento) e diretor-presidente por sete anos (abril de 2018 a abril de 2025).
Duas aquisições
Quando assumiu a vice-presidência da unidade automotiva (2012), a Tupy comprou em abril duas fundições no México, aumentando o processo de internacionalização da empresa. Mais tarde, em abril de 2019, já como presidente, Rizzo anunciou a compra da fundição Teksid da Fiat em Betim (MG) e a unidade de Portugal. O jornal Valor informou que o negócio foi de US$ 1 bilhão, mas em “fato relevante” a empresa revelou que foram 210 milhões de euros. Outra importante aquisição de sua gestão ocorreu em 2022 com a compra da fábrica de motores MWM, certamente o maior negócio da Tupy no mercado interno.
Mudança de gestão
Até hoje não foi explicado o real motivo da não renovação de contrato (demissão) de Fernando de Rizzo. Os acionistas majoritários contrariaram aquele postulado do futebol: “time que está ganhando não se mexe”. Afinal, a empresa não estava em crise e os números eram aceitáveis. Quando Ramacciotti foi anunciado para suceder Rizzo, alguns acionistas minoritários (são 35,9% deles com menos de 5% de ações) foram contrários a sua saída e um deles declarou ainda que o indicado pelos acionistas majoritários (BNDESpar 31% e Previ 27%) “não tinha o perfil para dirigir a Tupy” (Jornal Valor).
Mudança de vida e de resultados
Rafael Ramacciotti ocupou funções de direção na CNI (Confederação Nacional da Indústria), Senai e BNDES. São entidades que recebem um folgado orçamento sem nada produzir. Seus dirigentes acabam especialistas em despesas. Com a sua nomeação, Ramacciotti trocou o Rio de Janeiro (onde era presidente do conselho do BNDES) por Joinville, mas a mudança mais brusca foi assumir a presidência em uma empresa com ações na bolsa de valores (Tupy3), acionistas minoritários no exterior e muita cobrança por resultados. A partir de abril de 2025, ele teve que, provavelmente pela primeira vez, buscar receitas operacionais e lucratividade para acionistas.
Coincidências?
No mesmo mês que seu diretor-presidente pediu demissão, a Tupy divulgou o balanço do quarto trimestre de 2025 com um prejuízo líquido de R$ 626,5 milhões, valor seis vezes superior ao prejuízo do mesmo período de 2024, que foi de R$ 97,7 milhões. No acumulado de 2025, ano que Ramacciotti assumiu a presidência, a Tupy contabilizou um prejuízo de R$ 655 milhões. Diante desses números, a S&P Global Rating rebaixou a nota de crédito global da Tupy para BB (antes BB+) e a nota na escala nacional para brAA (antes brAA+). A manutenção da perspectiva negativa foi motivada (também) pela “contínua e fraca performance operacional”.
Abril na Tupy
Em abril de 2012 foi confirmada a compra de duas fundições no México. Em abril de 2018 aconteceu a saída de Tarquínio Sardinha Ferro da presidência e ingresso de Fernando Rizzo no cargo. Abril de 2019 compra da fundição Teksid que pertencia à FIAT. Em abril de 2022 a Tupy anuncia a compra da MWM Motores. Em 1º abril de 2025 a posse de Ramacciotti na presidência e em 1º de abril a sua saída anunciada em 27 de março.
Sem indicação política
Os acionistas minoritários tinham razão: o indicado da Previ e BNDESpar não tinha o perfil exigido para presidir a Tupy. O conselho de administração aprovou rapidamente a contratação de uma “Headhunter” (empresa especialista em recrutar profissionais de alta qualificação) para encontrar o próximo presidente com o perfil desejado, sem indicação política.
Contato do colunista WhatsApp (47)999644082
Ou pelo e-mail luizverissimoscempauta@gmail.com
Veja mais postagens desse autor

