HISTÓRIAS DA POLÍTICA CATARINENSE que a História não contou: O mecanismo das Zonas Industriais Fechadas mudando a Blumenau de hoje.
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De acordo com as regras estabelecidas em 1989, as plantas industriais que o tempo havia tornado “fora da lei”, poderiam permanecer onde estavam. O motivo que inspirou a decisão era simples: elas lá se encontravam desde outros e antigos tempos, em perfeita consonância com os dispositivos legais da época de sua implantação.
Tais indústrias, porém, não poderiam, daí em diante, “adquirir novas áreas adjacentes para ampliação” e, dentro das já adquiridas, teriam ampliação limitada por determinados coeficientes de aproveitamento e taxa de ocupação, além de outras restrições. A esse mecanismo se deu o nome de “Zonas Industriais Fechadas”, nas quais permaneceriam abrigadas aquelas empresas que, “após sua instalação e até a data desta lei” (a Lei da Regularização de Edificações em Situação Irregular, de 23/06/1989) “ultrapassaram as exigências legais em vigor quanto à sua localização”.
Causa e efeito. O caso da Altona.

Além do respeito ao óbvio (a permanência das plantas já existentes, embora com limitações), o resultado dessa engenharia urbanística teve outras consequências positivas. Algumas das empresas encapsuladas dentro da sua ZIF, passaram a planejar suas novas expansões fora dos espaços restritos ou até mesmo fazer a mudança completa, transferindo sua fábrica atual para outra localidade.
A Eletroaço Altona, por exemplo, talvez a mais complexa daquelas situações devido ao seu ramo industrial, decidiu instalar fora de Blumenau um novo complexo fabril com 50 mil metros quadrados de área construída. Seu destino quase certo é Gaspar onde já adquiriu as áreas necessárias. Esse movimento, segundo um de seus dirigentes, teve como causa imediata um fator: “Não havia mais como crescer em Blumenau”.
Não lhes é permitido crescer dentro do seu espaço original, exceto com a finalidade de ampliar instalações para tratamento de efluentes, estacionamento ou áreas verdes e lazer. A estrutura física produtiva, que é potencialmente nociva ao bem-estar da cidade, teve seu desenvolvimento travado, naquele local e em toda área urbana, pela nova lei. Seu futuro é em Gaspar, em lugar cautelosamente distante do espaço urbano gasparense.
Bons exemplos.

Com a ajuda das regras restritivas, o tempo consertará o problema. Até lá algumas gerações ainda vão conviver com essas velhas senhoras que, para não serem vizinhas tão incômodas, já vêm há tempo – justiça seja feita – modernizando seus equipamentos emissores de ruídos, cheiros ou gases. E as que tiveram a oportunidade, pela sua localização não tão próxima dos locais mais urbanizados, trataram, ao longo do tempo, de adquirir áreas adjacentes ou próximas, cobertas de ampla vegetação. Foi o caso, por exemplo, da Hering e da Artex. A mais cuidadosa foi a mais antiga de todas: a Karsten, que já nasceu em local bem distante da área urbana de Blumenau.

Lição para futuros prefeitos: a necessidade do planejamento de longo prazo.
Muitos prefeitos ainda ignoram a necessidade de evitar que esses parques industriais cresçam dentro da cidade, e que a população se avolume em volta de grandes empresas. Em Blumenau foi preciso fazer um remendo. Muitas outras cidades ainda podem prevenir. Como se sabe, isso é muito melhor do que remediar.
Próxima coluna.
Centros de bairro, um arranjo urbanístico que melhora a qualidade de vida das pessoas.
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