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Os fatores que condicionavam a opção.

Jorge Bornhausen. Wikipédia

Em 1989, a eleição do novo presidente do Brasil ocorreria no dia 15 de novembro, em primeiro turno, e a finalíssima em 17 de dezembro. A questão apresentada no título desta coluna é relevante, no conjunto das memórias da política catarinense, devido à coincidência de dois fatores: enquanto o PFL de SC, nessa mesma época, procurava definir alguém para apoiar na eleição presidencial, o partido se dedicava, também, intensamente, a garantir que Vilson Kleinubing concorresse ao Governo do Estado.

A seção catarinense dos liberais, comandada por Jorge Bornhausen, discordava da candidatura de Aureliano Chaves, definida pelo comando nacional do partido. Além de razões doutrinárias (de liberal Aureliano tinha nada) os pefelistas catarinenses queriam um concorrente que fizesse boa figura na campanha e, se não acrescentasse votos, pelo menos não viesse, indiretamente, a atrapalhar a futura possível campanha de Kleinubing.

Postas essas condições, o partido, em SC, no primeiro turno, cogitou de Collor, definiu-se por Afif Domingos e, mais adiante, no segundo turno, praticamente a totalidade de seus líderes e seus filiados votaram em Collor – que bateu Lula e virou Presidente do Brasil.

Depois ficou fácil responder a pergunta lá de cima.

Quando seu governo, destrambelhado em vários aspectos, já havia acontecido, e Collor fora defenestrado, era fácil concluir que ele não era, na muito concorrida eleição de 1989, a melhor alternativa para a Presidência do Brasil.

Como se viu, durante os 2 anos, 8 meses e 22 dias que Fernando Collor de Mello governou o Brasil, ele não dispunha de preparo administrativo, político e emocional, para exercer um cargo desse tamanho. Contava com muitas qualidades, e fez algumas coisas boas, mas, ficou claro que havia dado um passo bem maior que suas pernas ao disputar e, contra todas as possibilidades, vencer a eleição.

Numa oportunidade em que também eram candidatos, por exemplo, Guilherme Afif Domingos e Mário Covas, não há como afirmar que Collor era a melhor escolha. Mas, foi ele que o povo brasileiro escolheu naquele momento.

O PFL, ao qual eu era filiado, apoiou, no segundo turno, o candidato certo, no sentido de que foi o vitorioso, mas, ajudou a eleger o Presidente errado.

As qualidades e o desconhecimento que pesaram na balança.

Crédito Getty Images
Folha UOL

Collor era bem apessoado, carismático, e carregava bandeiras muito desejadas pelos eleitores, como o combate à corrupção e aos “marajás”, como ele chamava os servidores públicos que ganham muito dinheiro e trabalham pouco. A uma parcela mais exigente da população ele mostrava planos de contenção de gastos, equilíbrio fiscal, privatização de empresas estatais e modernização da economia e da administração pública.

E tinha ainda outro predicado: não era muito conhecido. O eleitorado sabia pouco, ou quase nada, do seu temperamento complicado; das suas ligações com o empresário Paulo Cesar Farias, seu amigo oculto; de sua formação intelectual errática. Por essa razão, ele não entrou no bloco dos que foram descartados na peneira do primeiro turno, como Paulo Maluf, por exemplo, alijado da final justamente porque já era muito bem conhecido.

No segundo turno, o empurrão que faltava.

FreePik

Além disso tudo, e, principalmente, havia o fato de que, no turno final, os 22 candidatos que disputaram a primeira volta, ficaram reduzidos, como é a regra, a apenas dois: Collor e Lula. Se na cabeça de muitos eleitores talvez não houvesse razões suficientes para escolher o primeiro, o temor do segundo desequilibrou o julgamento.

Próxima coluna.

Voltando a Blumenau, ainda em 1989: como foi resolvido o problema da proliferação de camelôs.