Edital confirma: prefeita Carmen Zanotto não pagará o piso do magistério nem o abono salarial – e mais
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Entenda como foi pago o abono aos professores em 2025
O projeto de lei que instituiu o abono salarial foi proposto pela prefeita Carmen Zanotto, por influência de vereadores da base aliada. Na ocasião, o FUNDEB foi indicado como a principal fonte de recursos. Porém, ao final de novembro, ficou demonstrado que o fundo não se mostrou suficiente para acomodar uma despesa fixa de R$ 430,00 mensais a quase dois mil professores da rede municipal.
Para corroborar com os questionamentos levantados, um projeto de lei tramitou às pressas na Câmara de Vereadores, acendendo o sinal de alerta: a Secretaria da Educação não tinha recursos suficientes sequer para pagar os salários dos professores. A conta não fechava. A solução encontrada foi “raspar o tacho” de outras secretarias, numa decisão administrativa de alto risco fiscal.

Diante disso, é possível que a Secretaria de Educação seja instada a prestar esclarecimentos ao TCE sobre esse desajuste financeiro na pasta de maior orçamento da prefeitura.
Para 2026, o edital do seletivo prevê salário sem piso e sem abono
No final do ano passado, a minha coluna no SC em Pauta trouxe uma análise detalhada sobre a PLOA de 2026 aprovada na Câmara de Vereadores. A Educação recebeu um acréscimo de 9% nos repasses de recursos; entretanto, cerca de 6% correspondem apenas à reposição inflacionária, restando um aumento real de aproximadamente 3%.
Apesar das promessas feitas pela vereadora Prof. Elaine e pelo secretário de Educação, Dr. Cristian de Oliveira, o texto aprovado não apresenta lastro orçamentário suficiente para que a prefeita Carmen Zanotto arque com o impacto financeiro estimado em cerca de R$ 30 milhões necessário ao pagamento do piso do magistério.

A peça orçamentária também indica não haver espaço para um “milagre fiscal” que permita a multiplicação de recursos destinada à manutenção do abono de R$ 430,00. A confirmação dessa análise veio com a publicação do edital do processo seletivo, que mantém o mesmo salário do ano passado, sem piso e sem abono.
Alternativa
Uma solução aventada para viabilizar o pagamento do piso do magistério seria recorrer ao governo federal para obter um repasse de complementação. Na gestão anterior, a recusa do município em abrir as contas da Educação foi o que impossibilitou o acesso a esses recursos.
Inconformada com o posicionamento do Executivo, a vereadora Prof. Elaine chegou a prometer denunciar a prefeitura ao TCE. Segundo ela, havia urgência em realizar uma varredura nas contas da Educação e nos repasses do FUNDEB.
Agora, a decisão de pagar ou não o piso está nas mãos da Secretaria da Educação. Caso se disponha a abrir as contas da pasta, os professores receberão o piso. Isso pode parecer difícil para uma pessoa comum, mas é exatamente o que se espera de um pós-doutor à frente da Educação de Lages.
O sacrifício da saúde em prol da educação
Embora o ano de 2025 registre avanços pedagógicos relevantes na Educação, os indicadores da Saúde apontam um cenário preocupante. Em comum, ambas as áreas revelam fragilidades significativas na gestão financeira.
A secretária Suzana Zen conseguiu a façanha de fazer sobrar, no mínimo, R$ 18 milhões em uma pasta onde falta tudo. Já o secretário de Educação, Cristian de Oliveira, enfrentou falta de mais de R$ 20 milhões em uma secretaria que detém 25% de todo o orçamento do município.
É fato que o plano pedagógico melhorou muito. Porém, não há êxito que se sobreponha aos desajustes financeiros, ainda mais quando o preço disso é o estrangulamento da Saúde.
Somente a Saúde de Lages pagou R$ 18 milhões por um plano pedagógico eficiente. Com esse valor, seria possível contratar cerca de 100 médicos e resolver o gargalo dos atendimentos nos postos. Isso não aconteceu (ou aconteceu muito pouco), e Suzana Zen acabou sendo a primeira baixa no secretariado da prefeita Carmen.
Já na Educação, não tenho dúvidas: 2026 será a prova de fogo para o secretário mais elogiado da gestão Carmen Zanotto.
Editorial – Coluna Jean Carlo Lima, no SC em Pauta. Este texto expressa a interpretação e o posicionamento editorial do colunista sobre os fatos narrados acima.



