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O vídeo do pré-candidato ao governo do estado expõe, logo de início, o seu posicionamento em 2018, ao declarar voto em Jair Bolsonaro: “Faço isso por uma questão de coerência com o que deseja a maioria dos catarinenses”. No trecho, Merisio destaca a preferência expressiva de 73% do eleitorado catarinense pelo ex-presidente e, estrategicamente, se coloca como parte do povo que, à época, acreditava na mudança.

Na segunda parte, explica as razões da transição política que o levou a se alinhar ao presidente Lula. Nesse contexto, a fala anterior funciona como elemento de contextualização e, por meio de uma estratégia de storytelling, constrói um discurso voltado à identificação com parcela do eleitorado que também revisou suas posições políticas ao longo dos últimos anos, sobretudo entre os chamados eleitores-pêndulo.

Com isso, também, antecipa questionamentos sobre fidelidade ideológica e transforma uma potencial contradição em ativo político. A estratégia busca converter o antigo apoio ao bolsonarismo em ponte de aproximação com o eleitor moderado, especialmente aquele que também passou por um processo de desilusão política com o fenômeno político de extrema-direita.

A narrativa apresenta Merísio não como um nome artificialmente vinculado à esquerda, e sim como o candidato legitimado pelo próprio presidente Lula. Esse elemento responde, de forma antecipada, a eventuais dúvidas sobre a adesão efetiva dos partidos de esquerda à sua campanha — percepção reforçada pelas manifestações públicas de lideranças do PT, PSOL e PCdoB.

O vídeo expõe dois fatores que, segundo o pré-candidato ao governo, contribuíram para sua mudança de posicionamento: a ausência de relação entre Bolsonaro e o ex-governador Carlos Moisés, além da falta de diálogo entre o governador Jorginho Mello e o governo Lula, o que teria causado prejuízos ao estado pela dificuldade de atração de investimentos federais. Também cita a condução da pandemia pelo ex-presidente como elemento determinante para rever sua posição eleitoral em 2022: “Chegou em 2022, eu não tinha como votar no Bolsonaro”.

Ao final, Merisio tenta transformar sua mudança de posicionamento não em ruptura, mas em coerência com uma nova leitura do cenário político catarinense e do sentimento de parte do eleitorado.