Silêncio da prefeitura agrava crise da água enquanto divergências sobre laudos geram diferentes interpretações

Ontem, 05/05, um veículo de comunicação, que mantém contrato de prestação de serviços com a prefeitura, publicou um post com o título: “Jair Junior omite laudos sobre água para viralizar na rede social e causar caos”.
No entanto, os dois laudos citados, cuja qualidade das imagens dificulta a adequada verificação do teor completo das informações, não parecem ter relação com ensaios de natureza microbiológica e bacteriológica, como aqueles voltados à análise de coliformes fecais. Especificamente, o documento datado de 10/02 refere-se a um ensaio destinado à verificação de parâmetros físico-químicos da água, como cloro, metais e possíveis resíduos químicos, não se tratando, ao que indica o documento, de análise biológica diretamente relacionada ao objeto da denúncia apresentada.
O segundo laudo, emitido pela Polícia Militar Ambiental, refere-se a uma vistoria baseada em observações visuais, sem indicação de realização de análise laboratorial. O documento descreve a verificação de possíveis descartes de materiais ou resíduos de criação bovina nas margens de cursos d’água.
Confira os laudos na imagem abaixo:

Portanto, o ponto central que demanda esclarecimento por parte da SEMASA é o laudo emitido pelo técnico da Itajuí, decorrente de análise microbiológica e bacteriológica, que aponta a possível ocorrência de:
“proliferação de cianobactérias e algas, presença de odores e sabores desagradáveis na água tratada e índices elevados de E. coli (coliformes fecais), fatores que indicam risco à aceitabilidade da água e potencial impacto à saúde pública”.
Cabe destacar que laudo produzido pela própria SEMASA apresenta convergência parcial com os achados técnicos da empresa terceirizada, apontando para a distribuição de água fora dos padrões de potabilidade, conforme o trecho abaixo:
“O nexo causal estabelece-se pela insuficiência dos processos convencionais de tratamento (coagulação, floculação, decantação e filtração) frente a este cenário de degradação súbita.
Sem a intervenção tecnológica complementar do carvão ativado, o sistema não é capaz de remover integralmente os metabólitos e toxinas associadas às cianobactérias, nem de eliminar alterações de gosto e odor, resultando na distribuição de água fora dos padrões de potabilidade.”
Diante da relevância do tema, faz-se necessário que o Executivo se manifeste de forma célere, com a apresentação de dados técnicos verificáveis, por meio dos canais oficiais da prefeitura e também em veículos de ampla abrangência.
É inadmissível que uma denúncia sobre um fato que pode ter colocado em risco a saúde de uma cidade inteira seja contraposta apenas por veículos de comunicação de origem duvidosa, em um contexto que sugere a disseminação de desinformação.
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