Prefeito Vilson Kleinubing. Antigo JSC. Arquivo Público de Blumenau.

No final de 1989 e comecinho de 1990, o Prefeito de Blumenau Vilson Kleinubing, com seu Secretário de Planejamento a tiracolo, corria atrás de recursos financeiros. Àquela altura restavam poucas dúvidas sobre a renúncia de Vilson, já no mês de abril seguinte, para disputar o Governo do Estado.

Blumenau queria ter um Governador fortemente ligado à cidade.

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O fato de ter prometido, durante a campanha eleitoral do ano anterior, que ficaria no cargo até o final de seu mandato, ainda incomodava a consciência do Prefeito. Mas, por outro lado, tínhamos em mãos farta evidência de que os beneficiários da invulgar promessa preferiam que ele descumprisse sua palavra empenhada.

Diversas pesquisas que, zelosamente, havíamos encomendado, revelavam, com clareza, que o povo de Blumenau queria muito ter um Governador seu, saído dali da cidade, com fortes compromissos, aí sim, para valer, com a terra blumenauense. E ele, o povo, enxergava, naquele momento, uma oportunidade de que se cumprimisse esse ideal.

Até então não existia lembrança de qualquer pessoa ligada policamente ao município que tivesse sido eleita para comandar o Estado. Havia um ressentimento desta falta de liderança política mais forte.

Na outra face da moeda, fermentava na cabeça dos blumenauenses a expectativa de que a eleição de alguém ligado à cidade de forma indubitável significaria, para Blumenau, uma nova era de grandes realizações estaduais. E era tão expressiva por lá a popularidade de Vilson que havia também uma forte convicção de que, se fosse candidato, certamente seria eleito.

Vale a pena trocar um prefeito por um governador?

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Pelo menos para aqueles que haviam votado em Vilson para Prefeito – e este era o público alvo dos levantamentos de opinião – a conquista do Governo compensaria plenamente a perda de grande parte da sua administração em Blumenau.

Segundo eles, valeria a pena trocar o Prefeito Vilson Kleinubing pelo Governador Vilson Kleinubing.

A condição.

Antigo JSC. Arquivo Público de Blumenau.

A condição que ele impunha para aceitar a candidatura era aquela que aparece no título da notícia do antigo JSC, com uma correção necessária: “Kleinubing diz que SÓ concorre ao Governo, com o aval do povo”.

Para segurança da decisão final, aquelas consultas prosseguiriam ainda nos primeiros dois meses de 1990.

A agonia do tempo escasso.

A perspectiva de que o Prefeito poderia renunciar em abril de 1990, e o consequente encurtamento do mandato, produziam a agonia do tempo escasso, E provocava a necessidade de captar recursos para cumprir as outras promessas – de obras e serviços – do candidato que foi eleito Prefeito em 1988.

Naquele início de 1990 era, portanto, vital para o ainda Prefeito buscar recursos para a Prefeitura.

Próxima coluna.

O Prefeito de Blumenau tentando a sorte no campo dos adversários e prováveis concorrentes.