As eleições de 2026 já começam com um alerta importante para candidatos e eleitores: o marketing político nunca foi tão decisivo — e tão fiscalizado. Com o avanço das redes sociais e da inteligência artificial, campanhas ganharam novas ferramentas para alcançar o público, mas também passaram a enfrentar regras mais rígidas da Justiça Eleitoral.

A principal base dessas regras continua sendo a Lei nº 9.504/1997, que organiza toda a propaganda eleitoral no país. Para 2026, ela é complementada por resoluções do Tribunal Superior Eleitoral, que atualizaram as normas para o ambiente digital. Entre as novidades, está a exigência de mais transparência no uso da internet e o combate direto à desinformação.

Na prática, isso significa que o candidato pode, sim, usar redes sociais, impulsionar publicações e investir em vídeos para alcançar mais pessoas. Mas deixa claro: todo conteúdo pago precisa estar identificado, mostrando quem financiou a mensagem. O uso de perfis falsos, disparos em massa sem autorização e conteúdos manipulados — como vídeos alterados por inteligência artificial — são proibidos e podem levar à multa, cassação da candidatura e até inelegibilidade.

Para o eleitor, o cuidado também precisa aumentar. Nem tudo que aparece na tela é espontâneo.

Muitas mensagens são pensadas para emocionar e influenciar rapidamente. Por isso, a orientação é simples: verificar a origem da informação, desconfiar de promessas fáceis e buscar mais de uma fonte antes de decidir.

Já para os candidatos, a estratégia mais eficiente mudou. Não basta aparecer — é preciso gerar confiança. Ferramentas como vídeos curtos e comunicação direta em aplicativos de mensagem continuam fortes, mas o conteúdo faz toda a diferença. Explicar propostas de forma clara, mostrar a própria história e ouvir o eleitor são atitudes que geram mais conexão do que ataques ou exageros.

Outro ponto essencial é respeitar o tempo da lei: a propaganda eleitoral só é permitida a partir de 16 de agosto. Antes disso, qualquer pedido explícito de voto pode ser considerado irregular.

O cenário de 2026 mostra que o marketing político deixou de ser apenas criatividade e virou também responsabilidade. Quem entende as regras e se comunica com clareza sai na frente. Quem tenta enganar ou ignorar a lei pode nem chegar ao dia da eleição.