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Alta nos custos de energia e fertilizantes pressiona produção agrícola e competitividade do agronegócio catarinense / Imagem: Divulgação

A intensificação do conflito no Oriente Médio tem provocado instabilidade no comércio internacional e nas cadeias globais de suprimentos no primeiro semestre de 2026. A interrupção da navegação no Estreito de Ormuz e a insegurança no Mar Vermelho afetam o fornecimento de petróleo e fertilizantes, impactando diretamente os custos de transporte e pressionando os preços de alimentos e combustíveis. O cenário gera incertezas para consumidores e para o setor agrícola.

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), os preços globais dos alimentos seguem abaixo dos níveis registrados em 2022, mas voltaram a apresentar alta no fim de março, refletindo a nova conjuntura geopolítica. Em Santa Catarina, cuja economia depende fortemente do agronegócio e da importação de insumos, os efeitos são mais sensíveis. “A estrutura produtiva do estado combina importação intensiva de fertilizantes, transformação de grãos em proteína animal e uma logística complexa”, explica o analista da Epagri/Cepa, Roberth Andres Villazon Montalvan.

A elevação do preço do petróleo é um dos principais fatores de impacto. Com o barril do Brent próximo de US$ 100, há projeção de aumento de cerca de 20% no diesel no Brasil, o que pode elevar em até 10% o custo do frete rodoviário. Em Santa Catarina, onde o transporte terrestre representa parcela significativa da logística de exportação, o aumento já pressiona o custo de produção, especialmente em culturas que dependem de mecanização intensiva.

Outro ponto crítico é a alta no preço dos fertilizantes, impulsionada pela restrição na oferta global e por medidas de países exportadores. Estimativas indicam aumento médio de 15% a 20% nos preços no período, com impactos diretos na produtividade e nas margens do setor. “O aumento dos custos, aliado a preços internacionais ainda pressionados, comprime as margens dos produtores e da agroindústria”, afirma Montalvan. Nesse contexto, o Porto de São Francisco do Sul se mantém estratégico para o abastecimento regional, contribuindo para reduzir riscos de desabastecimento.