Prefeitura fará Recanto do Pinhão Anti-raízes.

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O vexame histórico da edição Raízes da Festa do Pinhão 2025 é para não ser esquecido, tal qual os anjos/demônios e o Papai Noel que “expelia” crianças do Brilho de Natal.

A edição de 2025 teve uma única entusiasta: a secretária do Turismo, Ana Vieira. Segundo ela, com base em pesquisa realizada pela própria secretaria (com servidores entrevistando contratados da prefeitura), a aprovação do modelo de 2025 alcançou 90%, algo que nem a melhor edição já realizada no Parque de Exposições Conta Dinheiro conseguiria atingir. “Pesaram a mão na maquiagem.”

Portanto, não haveria outra possibilidade, diante do alto índice de aprovação, que não fosse repetir o modelo de sucesso. Mas Ana Vieira e Samuel Ramos, presidente da CCO, parecem ir além; são ousados e vão em busca dos 100%. Isso é postura de uma gestão que trabalha com foco em eficiência máxima. Ironia.

Da edição Raízes, agora passamos a algo que soa como uma espécie de edição “anti-raízes”, com a notícia da exclusão dos artistas lageanos da programação do Recanto do Pinhão. É contraditório, pois a marca do Recanto, na Praça João Costa, sempre foi justamente o fomento à nossa cultura, oportunizando apresentações dos nossos artistas locais.

Se, de um lado, a Câmara de Vereadores declara a Sapecada da Canção Nativista como patrimônio público imaterial, de outro, o que se vê é a descaracterização de um modelo de evento que deveria, antes de tudo, promover a participação daqueles que, de fato, simbolizam a nossa cultura (raízes).

Após entenderem que estariam fora do Recanto do Pinhão, os artistas assinaram uma notícia de fato, endereçada ao MP/SC, em nome de “Artistas Lageanos”. A peça busca esclarecer o seguinte:

“…artistas, com reconhecimento nacional, não precisam de credenciamento”… o que, evidentemente, não parece ser o caso de: “Renato Borguetti, Baitaca, Lisandro Amaral, Mauro Moraes, Joca Martins, Jorge Guedes”. Diante disso, questiona-se se houve inexigibilidade de licitação, já que, a priori, os referidos contratados não se enquadrariam nessa hipótese. Como há divulgação em massa, subentende-se que os artistas já foram contratados. Portanto, a peça questiona a legalidade de eventual contratação direta.

Enquanto se aguarda a manifestação do MP/SC, uma coisa é fato: quem perde com a organização da Festa do Pinhão, nesse modelo, é a cultura local, que sai enfraquecida diante de um formato que, de um ano para o outro, revela uma condução claramente bipolar.