Recicla + Lages, da gestão Carmen Zanotto, promove desmonte de cooperativas de reciclagem

Instituído no governo de Carmen Zanotto, em outubro de 2025, o programa Recicla + Lages tem colecionado uma série de problemas. O mais grave, segundo relatos de lideranças do setor, é o fato de as cooperativas de reciclagem terem sido colocadas em segundo plano.
Essa crítica é reforçada pela presidente da cooperativa do bairro São Miguel, Neuzita dos Anjos, que aponta dificuldades na inclusão efetiva dos cooperados no novo modelo adotado pelo município.
A presidente também destaca a reversão da posse de caminhões para a SEMASA, veículos que haviam sido doados à cooperativa pelo Governo do Estado. Segundo ela, não houve qualquer rito formal ou legal para essa transferência – apenas um comunicado determinando a entrega definitiva dos veículos.
De acordo com Neuzita dos Anjos, a retirada da posse dos caminhões teria sido utilizada como instrumento de pressão para forçar a cooperativa a aderir a um contrato de cooperação com o CISAMA, em um modelo que não agradou aos recicladores.
Além disso, a insatisfação dos cooperados com o novo modelo de gestão da coleta seletiva gerou uma série de desgastes na relação com o CISAMA. O principal reflexo, segundo relatos, foi a queda significativa na produção: de nove cargas diárias para apenas três – uma redução de cerca de 60%.
Para Neuzita dos Anjos, o modelo anterior era ideal: a coleta ficava sob responsabilidade integral da cooperativa, enquanto a SEMASA atuava na fiscalização. Essa autonomia, segundo ela, era essencial e se refletia diretamente na eficiência do serviço prestado.
Atualmente, o contrato de coleta encontra-se temporariamente suspenso. Conforme consta no termo de suspensão, a medida foi adotada sob a justificativa de descumprimento de cláusulas contratuais.
No ato de lançamento do programa Recicla + Lages, o discurso da diretora-presidente da SEMASA, Paula Granzotto, foi no sentido de apoiar os cooperados e tornar o serviço de coleta mais eficiente. No entanto, o que se observa, poucos meses depois, é uma realidade distinta, marcada pela falta de apoio, desrespeito e descaso com aqueles que se dispõem a desempenhar uma função essencial para o município.
Com tudo isso, Neuzita dos Anjos entende que o modelo adotado pela prefeitura, por meio da SEMASA e do CISAMA, fracassou. E, diante disso, não resta outra alternativa que não seja acionar o Ministério Público para pleitear uma revisão contratual.
A SEMASA e o CISAMA foram procurados para prestar esclarecimentos a esta coluna; no entanto, informaram que só responderiam aos questionamentos por meio de ofício.
Veja mais postagens desse autor

