Lei da misoginia: Júlia Zanatta chama de “porcaria de lei”; Erika Hilton diz ser um “basta ao discurso de ódio”. Afinal, o que está por trás de tudo isso?
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Você já percebeu que, em ano eleitoral, projetos de lei considerados polêmicos passam a pautar o Congresso e as assembleias estaduais? Isso dificilmente é coincidência; costuma fazer parte de uma estratégia. São propostas cuja finalidade nem sempre está na aprovação, mas em pautar o debate público e acirrar a polarização.
Entender isso é para poucos. Como já dizia George Orwell: “ver o que está diante do nariz exige uma luta constante”.
Se você consegue enxergar o que está por trás de iniciativas como a escala 5×2, a chamada “lei da misoginia” e até a escolha de Erika Hilton para presidir a Comissão da Mulher (bem como, há pouco tempo, a indicação de uma deputada de perfil ideológico, como Carol De Toni, para comandar a CCJ), então provavelmente já percebeu a lógica do jogo.
Esses movimentos tendem a ditar a dinâmica da polarização e a dar o tom do debate: enquanto um lado age, o outro reage; assim, eles mantêm a sociedade engajada, quase sempre pela intolerância e pelo antagonismo. Nos debates, um lado frequentemente deixa a bola quicando para o outro chutar, e vice-versa. Assim, esquerda e extrema direita acabam se retroalimentando, mantendo-se como inimigos declarados, mas revelando, em certa medida, diferentes faces de uma mesma moeda.
O projeto de lei que equipara o crime de misoginia ao racismo é, ao que tudo indica, o exemplo mais recente dessa dinâmica. Aprovado na CCJ do Senado, tende a enfrentar resistência no plenário, por se tratar de uma proposta de contornos subjetivos e caráter predominantemente punitivo. Contudo, é muito provável que a maioria dos parlamentares, inclusive de esquerda, considere esse tipo de iniciativa insuficiente para resolver o problema na prática. Mas, mais do que oferecer soluções concretas, seu efeito imediato concentra-se em tensionar o ambiente político, alimentar a polarização e gerar receio de insegurança jurídica, com possíveis reflexos nas relações entre homens e mulheres.
A esquerda, nas redes sociais, comemora a vitória parcial: chama o projeto de avanço e afirma que ele representa uma derrota ao movimento redpill. Já a direita o classifica como retrocesso e, a exemplo da deputada Júlia Zanatta, chega a chamá-lo de “porcaria de projeto”.
Enfim, seja aprovado ou não, há algo que dificilmente se contesta: o engajamento foi um sucesso. O tema gerou conteúdo de alto impacto, reforçando a visibilidade e o posicionamento de ambos os espectros às vésperas de uma campanha que promete ser das mais intensas.
No palco, dois personagens parecem inverter os polos neste momento: Luiz Inácio Lula da Silva surge na versão “lulinha guerra e ódio”, enquanto Flávio Bolsonaro aparece na versão “Flavinho paz e amor”. Ao que tudo indica, serão alguns meses em que o Brasil, mais uma vez, viverá uma espécie de comédia em um hospício a céu aberto. Vale a pena acompanhar.
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