Coração de mulher: “um bicho instruído”
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O coração da mulher conversa diferente.
Ele adoece, muitas vezes, sem alarde — e, por isso, acaba sendo ignorado.
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres no mundo. Elas matam mais
do que o câncer de mama, mais do que o câncer de pulmão. Em números globais, milhões de mulheres
perdem a vida todos os anos por problemas do coração. Ainda assim, o risco cardiovascular feminino
segue subvalorizado — tanto pelas próprias mulheres quanto, muitas vezes, pelos serviços de saúde.
Por muito tempo, acreditou-se que o coração da mulher estivesse “protegido”, especialmente antes da
menopausa. Hoje sabemos que isso não é verdade. Os fatores de risco tradicionais — como diabetes,
hipertensão, colesterol alto e obesidade — não se comportam da mesma forma no corpo feminino. Em
muitos casos, o impacto é ainda maior.
Mulheres com diabetes, por exemplo, apresentam um risco cardiovascular significativamente superior
ao dos homens com a mesma condição. A pressão arterial tende a aumentar mais rapidamente com o
passar dos anos, sobretudo após os 60 anos, elevando o risco de insuficiência cardíaca. Durante a
transição hormonal, período em que o metabolismo passa por mudanças importantes, as alterações do
colesterol tornam-se mais frequentes e, muitas vezes, permanecem subtratadas. A obesidade visceral —
aquela que se concentra no abdome — também pesa mais sobre o coração da mulher do que sobre o do
homem. Não se trata apenas de uma questão estética ou das marcas deixadas pela maternidade: o
coração sente essas mudanças.
Além disso, existem sinais de alerta que são próprios da saúde feminina e raramente reconhecidos como
fatores de risco cardiovascular. Condições comuns ao longo da vida reprodutiva, como a síndrome dos
ovários policísticos, a endometriose, a infertilidade e os miomas uterinos, não dizem respeito apenas ao
sistema reprodutor. Elas refletem processos inflamatórios, hormonais e metabólicos que podem marcar
o início de uma trajetória de maior risco para o coração.
Outro dado que merece atenção é o aumento das mortes por doença isquêmica do coração em mulheres
mais jovens, entre 35 e 54 anos — uma tendência que contrasta com a redução observada nos homens
da mesma faixa etária. Muitas dessas mulheres passaram por serviços de saúde sem que o coração fosse
considerado como possibilidade diagnóstica. O resultado, infelizmente, é o atraso no diagnóstico e no
tratamento.
Cuidar do coração da mulher exige atenção e um olhar que vá além do óbvio. Exige reconhecer que os
sintomas podem ser mais sutis, que os riscos são diferentes e que a prevenção começa muito antes do
primeiro susto.
O coração da mulher não é frágil.
Mas ele pede para ser visto, compreendido e cuidado — em cada fase da vida.
Dra Araceli Thomaz – Cardiologista RQE 23926 – 27642 CRMSC 34981
Hospital Dom Joaquim – Sombrio/SC



