Desfiles das escolas de samba de Lages: Serra “catarinence”, com “C” de Carnaval e caso de injúria racial
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Para a edição do Carnaval de 2027, será necessário rever muita coisa, a começar pelo português. A inscrição “serra catarinence”, estampada em um banner fixado ao carro abre-alas, seria, em qualquer manual minimamente sério, motivo suficiente para desclassificação. O erro gramatical, por mais gritante que seja, torna-se quase irrelevante diante de algo ainda pior: a falta de destaque a elementos culturais de identidade, pertencimento e representação, de algumas escolas.
Chama atenção, sobretudo, a falta de representatividade étnica no comando de uma manifestação cultural com raízes essencialmente afrodescendentes. Ou alguém consegue imaginar a Oktoberfest organizada e protagonizada pela comunidade árabe?
E, como se não bastasse o tropeço no idioma e o esvaziamento simbólico, o carro abre-alas da escola de samba – que mais parecia um expositor móvel – trouxe em destaque a Secretaria de Políticas Públicas para a Mulher, movimentando-se de forma frenética, como um boneco de posto. Em outro contexto, como rainha da Fenarreco, a cena estaria perfeitamente adequada. No Carnaval, soou artificial e completamente desconectada da essência da festa.
Trata-se da mesma secretaria que, há poucos dias, optou por realocar uma senhora preta para a Secretaria de Educação após um suposto episódio de injúria racial. Nada mal, portanto, ser “presenteada” com um convite para desfilar em destaque numa escola de samba, justamente nesse contexto.
A prefeita de Lages também participou ativamente do evento. Esteve em camarote exclusivo para autoridades, custeado com recursos das próprias escolas. A prefeitura até ofereceu algum suporte, mas fez questão de garantir lugar de destaque.
Com cobertura da TV Câmara, da imprensa local (que usufruem de estrema generosidade da prefeita) e com a Liga das Escolas de Samba assumindo o papel de vassala do Executivo, a prefeita dispôs de um cenário perfeito para ensaiar uma espécie de neocoronelismo, com todos sob o seu comando.
O samba-enredo (ou discurso) de Carmen Zanotto é conhecido desde o primeiro dia de mandato: “Lages já avançou e continua avançando”. Mas, se a prefeita tivesse de levar a escola de samba da prefeitura à passarela, talvez contasse apenas com o carro da Educação para contar alguma história. Pode que, no discurso de avanço, ela esteja confundindo a Lages de hoje com a Lages de um tempo distante, quando o nome da cidade ainda era escrito com jota, e acabou entrando na folia da escola que conseguiu grafar “catarinence” com “C”.
E, afinal, se até o prefeito de Sucupira da Serra discursava em inauguração de cemitério, por que a prefeita de Lages não poderia discursar no Carnaval?



