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A ex-senadora Ideli Salvatti concedeu entrevista e afirmou que Jorginho Mello, governador que sancionou a lei “anti-cotas” em 2026, foi o mesmo que se declarou pardo nas eleições de 2018, mas que mudou sua autodeclaração racial para branco no pleito de 2022. A pergunta que se impõe é: qual teria sido o real interesse de Jorginho Mello ao mudar de cor de uma eleição para outra? Não sei. Mas momentos políticos distintos podem explicar.

O pardo que acenava para Dilma e o branco do Bolsonaro

Foto: reprodução

Em 2018, Jorginho Mello declarou-se pardo e se mostrou simpático ao governo de Dilma Rousseff. Seria ele, naquele momento, um político que professava valores identitários de esquerda?

Nas eleições de 2022, porém, mudou sua autodeclaração para branco e apoiou a reeleição do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2016, sancionou a lei anti-cotas. Podemos, então, considerar que Jorginho Mello é um político cujos valores estão mais ligados ao conservadorismo? Nem uma coisa, nem outra.

Jorginho Mello é, acima de tudo, um estrategista. Mais do que resultados práticos, ele comunica valores identitários conforme o momento político. Quando o cenário pendia para a esquerda, ele acenava para ela de corpo, alma e cor parda. Quando Santa Catarina se revelou conservadora e bolsonarista, o governador embranqueceu e sancionou a lei anti-cotas.

A intenção por trás da lei anti-cotas

A chamada lei “anti-cotas” já nasceu morta do ponto de vista constitucional. Foi, sobretudo, a produção de uma peça de marketing político. Ao sancioná-la, o governador Jorginho Mello tinha pleno conhecimento de sua nulidade jurídica, mas, ainda assim, aproveitou a oportunidade para comunicar uma posição política e consolidar sua imagem junto ao eleitorado conservador.

A estratégia de marketing do governador não está centrada na eficácia administrativa, mas na ativação simbólica do senso de pertencimento. Ao acenar para determinados valores identitários, ele mobiliza afetos, fideliza uma base e transforma gestos juridicamente inócuos em capital político real. Nesse terreno, que Jorginho Mello se destaca: pouco resultado prático e muita propaganda bem calibrada.

Exemplo prático

A estratégia é tão eficiente que, se alguém for perguntado, em Lages, minha cidade, quais obras o Governo do Estado realizou no município, pouquíssimos saberão responder. Nem mesmo seus principais aliados locais, a prefeita Carmen Zanotto, o deputado Marcius Machado e o deputado Lucas Neves, conseguem ter na ponta da língua – com exatidão – entregas concretas do governo.

Agora, mude a pergunta. Questione as pessoas sobre a lei “anti-cotas” ou o “Passaporte Catarinense”. A maioria saberá do que se trata. E, quase sempre, a resposta vem automaticamente emendada por um clichê repetido à exaustão: “o melhor governador da história de Santa Catarina”. Isso prova que, na política contemporânea, a narrativa vale mais do que a obra, e o símbolo mobiliza mais do que o concreto.

Por fim

Críticas à parte, a equipe de marketing do governador é o que o diferencia de todo o restante. Até agora, ele tem nadado de braçada e deixado todos para trás, diante da dificuldade da classe política catarinense em compreender que a comunicação política não é mais a mesma de 10 anos atrás.