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Imagem: Reprodução

A escolha do vice

Ao escolher Adriano Silva (NOVO) para seu vice nas eleições de 2026, Jorginho Mello (PL) obriga a oposição a se reinventar a poucos meses do pleito. Por um bom tempo, o governador de Santa Catarina deu como certa a vaga de vice ao MDB e a segunda vaga do Senado a Espiridião Amin, para fechar composição com o União-PP. Todos esses movimentos faziam parte de uma engenharia eleitoral para garantir a Jorginho maior penetração nos espectros do campo moderado.

A estratégia que antes apontava para o caminho seguro de uma frente ampla agora dá lugar a um fechamento ideológico, fielmente alinhado à direita bolsonarista, curiosamente num momento em que o núcleo duro da extrema direita está com menos força em relação às últimas eleições, resultado do desgaste natural causado pelos acontecimentos dos últimos anos. A tendência para 2026 é de diminuição na fervura da polarização. Também cabe destacar que Adriano agregará muito pouco ao projeto de reeleição do governador. O perfil do eleitor do NOVO é, em essência, o mesmo que, em tese, está inclinado a votar no PL. Essa visão é quase ponto pacífico entre os principais analistas políticos do Estado.

Xeque-mate

Adriano Silva foi escolhido como vice para ganhar a eleição ou para inviabilizar a candidatura de João Rodrigues (PSD)? A princípio, a segunda opção tem um efeito mais objetivo e imediato. Com essa virada de chave na pré-campanha, Jorginho encerra, na prática, a disputa sobre quem seria o único nome da direita bolsonarista catarinense na eleição de 2026. Ao fechar uma chapa puro-sangue, o governador emite um recado inequívoco. Não há espaço, em Santa Catarina, para duas candidaturas competitivas ancoradas no mesmo campo bolsonarista.

Na campanha, por estratégia de discurso verticalizado, o governador vai reacender o discurso da polarização, ainda mais se Flávio Bolsonaro (PL) efetivar sua candidatura. Nesse caso, João Rodrigues ficaria um passo atrás do discurso de Jorginho, tentando provar ser ele o candidato da direita, passando ao eleitor a ideia de uma fala que chega o tempo todo atrasada e deslocada.

Xeque-mate. João Rodrigues (PSD), em reconhecimento a uma derrota antecipada, pode optar por sair do tabuleiro, por imposição estratégica do eficiente marketing do governador. Entretanto, João é uma das principais lideranças políticas do Estado, e não se pode imaginá-lo fora do processo.

Na atual conjuntura, Rodrigues perde o eleitor ideológico, de direita e bolsonarista; não empolga o campo moderado e, muito menos, conseguiria, em um eventual segundo turno, convencer a esquerda a agregar com ele. O prefeito de Chapecó paga o preço por ter criado uma forte identidade com o bolsonarismo. Quando percebeu, tentou se descolar, mas já era tarde. Nesse cenário, Jorginho fecha a porteira da direita, e quem tenta dividi-la acaba sucumbindo como dissidente.

Contra-golpe

Segundo fontes ligadas ao PSD, MDB e União-PP, a tendência é que os partidos do campo moderado cheguem a um consenso em torno de um nome, também moderado, como resposta à cartada do governador. PSD e MDB já fizeram acenos. O União-PP ainda é uma incógnita. Não é improvável que Espiridião Amin corra atrás do carro de Jorginho, mesmo depois de ter sido alçado para fora.

Entre os nomes aventados para representar a reedição de uma tríplice aliança está o de Raimundo Colombo (PSD). Ex-governador com trabalho comprovado, do campo moderado e com capacidade de dialogar e transitar por diferentes espectros políticos, algo que João enfrenta dificuldades para fazer. Em conversa com Colombo, ele me disse que está em viagem pelo exterior, mas que tem acompanhado as movimentações. Diz não estar disposto a interferir no processo decisório dos partidos e das alianças e se sente lisonjeado por ser lembrado.

Editorial – Coluna Jean Carlo Lima, no SC em Pauta. Este texto expressa a interpretação e o posicionamento editorial do colunista sobre os fatos narrados acima.