1989: O drama da falta de água em Blumenau

Quando o lago virou tanque
Quando Vilson Kleinubing começava o primeiro ano de seu mandato como prefeito de Blumenau (que, por trampolinagens da sorte, duraria apenas 13 meses), a principal atribulação pela qual a cidade estava passando era a falta de água em vários bairros. Naquele ano da graça de 1989, uma parte significativa da população dependia dos 11 carros-pipa destinados ao seu abastecimento.


O símbolo maior dessa carência foi, ainda no ano imediatamente anterior, a imagem das donas de casas que levavam suas trouxas de roupa para lavar no lago decorativo que há bem em frente à Prefeitura.
Havia muita coisa para fazer. Era até difícil decidir qual era mais importante. Quanto à mais urgente, porém, estava bem claro: era a falta de água nas residências.

No Samae o homem da padaria
Com a posse do novo prefeito, havia a expectativa de providências enérgicas e urgentes para resolver esse drama. Para surpresa de muita gente, porém, Kleinubing designou para enfrentar e resolver tal gravíssimo problema, uma pessoa cujas qualificações não tinham qualquer proximidade com o assunto: um empresário da panificação. Um “padeiro”, como se dizia jocosamente nas conversas pela cidade. Carlos Waccholz foi nomeado presidente do Samae. E os brincalhões diziam que ele trataria a população “a pão e água”.
O “padeiro” forneceu a água que faltava

Pois foi ele, este dono de uma padaria, que acabou com o sufoco. Um ano mais tarde, as soluções já estavam muito bem encaminhadas graças a pesados e bem administrados investimentos em reservatórios, estações de tratamento e distribuição da água.

Um novo Plano Diretor de Abastecimento de Água começou a ser implantado, com resultados sensíveis já em 1989. E Wachholz prosseguiria na Presidência do Samae, com Victor Sasse, na administração que começou no ano seguinte com a renúncia de Kleinubing para se candidatar a Governador. No período todo de abrangência do Plano, a capacidade da ETA II passou de 450 para 840 litros por segundo. Duas novas estações de tratamento foram construídas: a ETA III – 400 litros por segundo, no Garcia, e ETA IV – 20 litros por segundo, na Vila Itoupava.
O “padeiro” botou água na torneira. A encrenca – palavra que se origina do termo alemão ein krenk ,(“uma doença”) – não existia mais. Wachholz tratou o povo blumenauense com grandes fornadas de determinação e competência.
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