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“Não foi por falta de aviso”, dizem lideranças após operação em Florianópolis

A Operação Presságio mexeu com os bastidores da política de Florianópolis. O cumprimento de busca e apreensão e o afastamento dos secretários Ed Pereira e Fábio Braga causaram um grande constrangimento.

As investigações iniciaram em 2021, quando foi constatado um crime ambiental de poluição em um terreno nas imediações da passarela Nego Quirido.

A leitura feita por algumas lideranças é que não foi por falta de aviso. Pessoas próximas ao núcleo do governo municipal já alertavam há tempo sobre rumores acerca do episódio que envolveu a operação. “Por mais que seja dolorido, quem avisa amigo é. Esse é o ditado popular que se confunde com as questões políticas”, afirmou. Por isso, a operação de ontem não causou surpresa a algumas lideranças. Apenas o lamento de que o desgaste político disso tudo poderia ter sido evitado. Ainda há tempo para a reconstrução, me disse uma das lideranças.

O prefeito Topázio Neto chegou a gravar uma mensagem. Sem o tom descontraído dos vídeos que costuma gravar por questões óbvias, disse que a investigação envolve uma empresa contratada em 2021 e que tirou quando assumiu por não ter prestado um bom serviço. A fala chamou a atenção, pois lembra que a contratação da Amazon Fort ocorreu na gestão de Gean Loureiro (UB). (segue após o anúncio)

Contratação é investigada

A Amazon Fort foi contratada para a coleta de lixo em janeiro de 2021, durante a greve da Comcap. Acontece que a empresa acabou realizando o transbordo de resíduos de madeira de forma inadequada, a poucos metros da Baía Sul. Consta nas investigações que a empresa, contratada de forma emergencial sem licitação, anunciou em 29 de dezembro de 2020, dias antes de a Comcap anunciar a greve, oportunidade de trabalho para coleta de resíduos. O contrato com a Prefeitura de Florianópolis foi assinado no dia 19 de janeiro de 2021, sendo que a greve somente foi anunciada no dia seguinte, dia 20. Por isso, a operação foi batizada com o nome de “Presságio”.

Ex-prefeito quer responsabilização

“Topázio foi bem, foi firme. Só precisa ser um pouco mais claro quando fala que o contrato foi lá atrás. Quem contratou a empresa de Rondônia sem licitação pra coletar o lixo e quem nomeou os servidores acusados de cobrar propina pra encobrir crimes ambientais foi o ex-prefeito Gean Loureiro. Não foi o César, não foi o Dário, não foi a Ângela, não foi o Andrino. Foi o Sr. Gean Loureiro. Aparentemente, seu ex-aliado” – César Souza Júnior – Ex-prefeito de Florianópolis

Pedido de CPI

O vereador Afrânio Boppré (PSOL) apresentou um requerimento pedindo a instalação de uma CPI na Câmara de Florianópolis. A ideia é investigar os atos de agentes públicos no âmbito da Operação Presságio. Boppré tem trabalhado para obter as assinaturas necessárias. Ao mesmo tempo, veio o contra-ataque. Começou a circular nas redes sociais uma publicação de Afrânio com uma foto dele quando foi vice do ex-prefeito Sérgio Grando, junto com jornais da época em que aparecem matérias sobre o afastamento do então procurador do município e de uma acusação de extorsão contra um assessor.

Continuidade

Ontem, uma fonte policial me disse que a operação é uma resposta a quem dizia que a troca de delegados teria sido feita para barrar algumas investigações. “As investigações estão ocorrendo e vão continuar”, afirmou.