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Exclusivo: Conheça alguns trechos das investigações da Operação Chabu

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), pode ter embasado o pedido de prisão e de busca e apreensão contra o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (sem partido), em algumas transações financeiras e também através de interceptação de algumas conversas.

O SCemPauta teve acesso com exclusividade a decisão do desembargador do TRF4, Leandro Paulsen, relatando que de acordo com o Coaf, o prefeito teria realizado uma operação de seguro com a empresa Lojacorr S/A Rede de Corretores de Seguros, a qual não teria sido devidamente registrada. Consta na decisão de Paulsen, que o conselho chegou a definir a operação como obscura. Além disso, o Coaf também emitiu um alerta para a compra de um veículo, pelo qual Loureiro teria pago o valor de R$ 170 mil em espécie.

Outro ponto que motivou a investigação contra o prefeito, foi uma conversa através de um aplicativo, onde, José Augusto Alves, afirma a uma pessoa apenas identificada como “Gerson”, que Gean Loureiro teria lhe passado os números de telefone de alguns integrantes do gabinete do então deputado estadual, Gelson Merisio, para “checar”, afirmando que tal diligência seria necessária por conta de algumas denúncias realizadas pela “turma do Merisio”. De acordo com a investigação, esse seria um indício de que Loureiro teria providenciado a chamada “sala segura”, no interior da Prefeitura de Florianópolis.

Diálogo suspeito

Uma conversa interceptada pela Polícia Federal, mostra um diálogo entre Gean Loureiro e José Augusto Alves, considerado o “araponga” que andava com uma mala, vendendo interceptação e informação privilegiada. Ele é servidor público aposentado e atualmente representa uma empresa de tecnologia.

A escuta mostra que Alves liga para Gean e, pede ao prefeito que interceda junto ao Governo do Estado, para que mantenha o emprego da esposa do policial rodoviário federal, Marcelo Rubens Paiva Winter, um dos que foram presos na operação. A esposa de Winter trabalhava na Consultoria Jurídica da Secretaria de Estado de Ação Social no governo de Eduardo Pinho Moreira (MDB), que tinha Romanna Remor como secretária.

 

Gean através de um aplicativo faz o pedido para Romanna. O SC em Pauta teve acesso a uma parte da conversa .

Loureiro – Se puder! O marido dela é responsável de um órgão muito importante para nós. Daí, explico pessoalmente. Nossa segurança. Não é questão política! Mas muito importante para a política!

 

Romanna – Entendido prefeito!! Não te preocupes. Assunto Encerrado. Ela permanecerá na função que está.

 

Loureiro – Obrigado! Depois falamos!

 

Contrapartida

Também de acordo com as investigações, o policial rodoviário federal, Marcelo Rubens Paiva Winter, faz parte do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão ligado ao Ministério Público estadual. Segundo a investigação da Polícia Federal, a manutenção do emprego tinha como contrapartida o repasse de informações privilegiadas do Gaeco em Santa Catarina.

Contraponto

Liguei para Romanna Remor, mas o telefone segue desligado, sendo que possivelmente deve ter sido apreendido pela Polícia Federal. Já o prefeito Gean Loureiro, me disse que a compra do veículo se tratou de uma troca de uma caminhonete Edge, avaliada segundo ele, em R$ 100 mil, por uma da marca Volvo que custou R$ 170 mil. Loureiro não lembra se os R$ 70 mil de diferença foram pagos em espécie, ou através de transferência.

Quanto ao alerta do Coaf, ele explicou que fez o negócio diretamente com a empresa Dimas, que ao revender o seu antigo veículo, pode ter gerado a informação de que a negociação foi realizada por ele. “Ele (Dimas) recebeu o carro, comercializou e transferiu direto em espécie para a empresa”, explicou, afirmando que tudo consta em sua declaração no Imposto de Renda e, que tem as notas fiscais das transações.

Pessoal do Merisio

Gean Loureiro afirma que nunca teve qualquer conversa com José Augusto Alves, a respeito de qualquer checagem de denúncias que supostamente teriam partido do gabinete do então deputado estadual, Gelson Merisio. “Nunca existiu e nem fui perguntado pelo delegado no depoimento. Essa é uma conversa entre outra pessoa que nem sei quem é”, respondeu Loureiro, afirmando que nunca falou sobre o assunto. “A afirmação é da parte dele e, não é verdadeira”, afirmou o prefeito.

Pedido a Romanna

Já quanto a conversa com a então secretária, Romanna Remor, sobre o pedido de José Augusto Alves, para que esposa do policial rodoviário federal e integrante do Gaeco, Marcelo Rubens Paiva Winter, fosse mantida no governo, o prefeito disse que confirmou ao delegado da Polícia Federal que tentou intermediar, mas negou que conhecia a esposa, e o próprio Winter. “Eu recebia vários pedidos de pessoas querendo se manter em cargos”, explicou.

Sobre teor da conversa, Loureiro relatou que apenas repetiu para Romanna, o argumento de Alves, explicando que a pessoa em questão era esposa de um servidor da segurança pública. “Nem sei quem é esse policial”, disse.