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Exclusivo: Com ambulâncias em condições precárias, médicos do Samu narram drama em atendimentos

Longe dos holofotes das autoridades, trabalhando no silêncio da madrugada ou ofuscados no dia-a-dia, e em condições insalubres, médicos relatam o drama diário que vivem ao atuarem no SAMU.

Obtivemos com exclusividade, relatos das condições precárias das ambulâncias, bem como, uma lista de demandas dos profissionais. As demandas vão desde equipamentos básicos para o atendimento, até o direito a férias, sendo que há médicos que estão a mais de 3 anos sem gozar das férias.

Para ter uma noção da gravidade e do descaso com o setor de emergência, nesta segunda (24), a comunicação entre central de atendimento em Joinville e as ambulâncias foram feitas pelo celular pessoal dos profissionais. Isto é, não havia nem sistema de comunicação institucional para comunicar a necessidade de atendimentos.

Está é uma lista com o status das viaturas do SAMU

Conversamos com alguns profissionais do SAMU, que relataram o drama. Um deles chegou a relatar que até ventiladores mecânicos (tão importante na atualidade) não foram fornecidos para eles, era preciso pegar emprestados dos hospitais e PA’s. “A gente está transportando paciente com Covid-19 e tem ventilador mecânico porque foi doado pelo Luciano Hang” – relatou o médico.

Outro profissional relatou que em vários eventos, o desfibrilador chegou a dar problema em atendimento. “A gente vai atender um paciente com parada e o desfibrilador não funciona de forma adequada” – destacou o profissional.

Além disso, os profissionais temem pela segurança jurídica em sua atuação. Foi relatado que nem aparelho para gravar as chamadas de emergências possuem. Atualmente, o equipamento é considerado uma segurança para os médicos, principalmente pelo aumento de judicialização da medicina.

Na lista de demandas dos profissionais, outro ponto que chama a atenção e acende o alerta é a falta de equipamentos de proteção individual e claro, as péssimas condições das viaturas. “A preocupação é que a população não tenha mais acesso aos serviços!” – lamentou o profissional.

Em Joinville, os profissionais se preparam para fazer um abaixo assinado com uma lista de demandas, que deverão ser entregues ao Ministério Público. Obtive, com exclusividades, acesso à lista. Veja as demandas:

1. Faltam materiais básicos na USA (EPIs, tubo orotraqueal…);

2. Telefone da CR não grava as ligações;

3. VTRs sem manutenção (amortecedor, pneu…) e sem seguro;

4. CR com cadeiras velhas e quebradas;

5. Perdemos o seguro de vida;

6. Não temos treinamento, atualização e reciclagem da equipe;

7. Perdemos o acesso ao mapa do programa do SAMU na regulação;

8. Estávamos sem ventilador mecânico em plena pandemia precisando pegar emprestado os ventiladores das instituições emprestados sendo que estes são de marcas diversas e de diferente manejos e não sabemos como é a manutenção dos mesmos;

9. Estamos desde 2014 sem reajuste salarial;

10. Estamos desde abril/2020 sem os depósitos patronais do FGTS e o mesmo sendo descontado em folha;

11. Estamos há mais de 3 anos sem férias;

12. Estamos com um ótimo cardioversor em frangalhos com os cabos que mal funcionam;

13. Estamos com oxímetro que mal funciona;

14. Empresa não paga feriados nacionais e municipais;

15. Perdemos o vale alimentação;

16. Reduziram o valor do vale refeição;

17. Reduziram o adicional noturno de 40% para 20%;

18. Estamos necessitando de uma USA adicional;

19. Estamos sem acordo sindical desde 2012;

20. Empresa não paga hora extra para cobertura de plantões de férias e atestados;

21. Somos autoridade sanitária, uma enorme responsabilidade, mas a realidade é que o SAMU virou um serviço médico de plantonista em início de carreira com alta rotatividade;

Situação entre governo e empresa prestadora de serviços

O impasse entre a empresa prestadora de serviços e o governo do estado continua. Ameaças de greves, discussões na justiça e denúncias continuam acontecendo, mas até agora, nada foi feito para resolver definitivamente esse problema.

Por enquanto, os profissionais trabalham em condições precárias e a população corre o risco de não ter o serviço prestado. Entramos em contato com o governo do Estado e até o fechamento da matéria, não conseguimos conversar com os responsáveis.