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A covardia no voto de Bruno Souza

Em um arranjo com a etimologia e toda a sua evolução, a palavra “covarde” pode ser compreendida com a expressão popular, “com o rabo entre as pernas”. Essa expressão é utilizada quando o sujeito demonstra a sua frágil ousadia e dominado pelo medo, toma determinadas decisões. Portanto, Bruno Souza (NOVO) demonstra ausência de coragem, ousadia e até capacidade cognitiva de entender a sua função parlamentar, ao votar contra o processo de Impeachment do governador e sua vice.

A crítica que aqui se faz, não se amolda no mérito do processo, tampouco, se ambos cometeram ou não crime. Mas na vil justificativa dada pelo parlamentar. Bruno alega que o seu voto é técnico e que não havia elementos suficientes que sustentassem o impedimento de Moisés e Daniela.

Em sua justificativa, no horário determinado ao seu partido e no site oficial do partido NOVO, Bruno alega que o processo é exclusivo ao caso dos procuradores e “as questões referentes a respiradores, secretários presos, hospital de campanha, etc., não fazem parte deste processo específico.” O deputado ainda alega que o governador cumpriu a lei, ao autorizar o aumento no salário dos procuradores.

Porém, o parlamentar esquece a sua função na República. Ele é o fiscalizador outorgado pelo voto popular e chancelado para aferir as condutas com discricionariedade, isto é, com liberdade. Com isso, o parlamentar deve acompanhar o clamor popular e analisar os impactos gerados por aquilo que se propõe no Parlamento. Trocando em miúdos, ele poderia ter incluído na sua análise, todos os desdobramentos e impactos “negativos ou positivos” do governo Moisés e Daniela.

O parlamentar usa a desculpa “esfarrapada” de voto técnico. A boa técnica é a lógica, usando o raciocínio e o poder para compreender as demandas que urgem da sociedade. Ele diz que o devido processo legal poderá ser prejudicado, dando à entender que o processo de Impeachment é um processo integralmente jurídico. Isso é ignorância ou o atestado de covardia, pois a Teoria Política e os mais conceituados doutrinadores do direito Constitucional já salientam que o processo de Impeachment é político. Portanto, o impacto jurídico advém do processo político. Aliás, nada além daquilo que estamos acostumados, políticos aprovam leis que promovem efeitos jurídicos.

Se usarmos a lógica do parlamentar, é ele quem ofende o devido processo legal. Afinal, admitir o processo de Impeachment do governador e da vice, não é condená-los e culpá-los, mas deixar o tribunal misto (composto por juízes e político) julgar o que de fato aconteceu. Se ainda assim, Bruno Souza quiser dizer que não aprovou a continuidade do processo para não trazer prejuízos à democracia, com o afastamento de ambos, ele também deixou de ser técnico e agiu politicamente. Pois, os impactos externos à lide não convém à técnica jurídica.

O deputado poderia ter entregue ao Tribunal Misto a chance de seguir o devido processo legal, sem julgar ou inocentar sumariamente, incluindo no roll de motivos políticos, as insatisfações que tornou públicas ontem (17).

Bruno Souza usou a pior justificativa para o seu voto, ficando sem saída. Paulinha, Zé Milton, Mocellin e Altair Silva tinham desculpas melhores. A melhor justificativa à ser dar ao ato de Bruno é: Covardia.