Uma leitura sob a ótica do Sul

O QUE ERA CERTO JÁ NÃO E MAIS
A última semana das convenções partidárias começa faltando apenas duas: MDB e DEM, no sábado. Ambas tem pequeno – quase nenhum – poder de influenciar na composição das chapas. As convenções já realizadas, entretanto, seguem com capacidade de transformar o previsto. Nem a do PSD, que foi a primeira, nem a do PP, que aconteceu sábado ou a do PSDB, realizada ontem em Joinville, foram conclusivas o suficiente para permitir ao eleitor identificar quais serão as chapas. De todas, a do PSDB é a que menos deve sofrer mudanças. Gelson Merísio que foi aclamado candidato a governador na convenção do PSD é a mudança mais provável. A tendência é que ele seja o vice de Paulo Bauer, indicado candidato a governador pelo PSDB, ontem. O jogo segue aberto com a possibilidade de até cinco candidatos a governador entre os maiores partidos: PP, PSDB, MDB, PSD e PT. Num exercício de aposta – não tem receita pronta – eu apostaria em quatro. Excluiria o PSD da cabeça de chapa.

PP REGIDO
A convenção do PP, sábado na Assembleia Legislativa, foi uma sinfonia regida mais uma vez pela batuta de Esperidião Amin. Ele se escalou de governador, trouxe João Paulo Kleinubing para vice e deixou nada claro em relação às vagas ao Senado, sugerindo portas abertas ao PSD de Raimundo Colombo.

MERISIO VAIADO
Apesar do esforço do deputado estadual Valmir Comin em elogiar Gelson Merísio e do tom macio de Esperidião Amin para explicar que o PP não será vice dele por uma questão de “viabilidade”, o líder do PSD foi vaiado na convenção do PP. No momento em que o secretário do partido leu a nota de Merísio reforçando convite ao PP indicar o seu vice e um candidato ao Senado, a vaia foi mais intensa.

ALIVIO DE COLOMBO
Como Esperidião Amin anunciou que será candidato a governador, Raimundo Colombo respeitou aliviado. É matematicamente previsto que em caso de disputa com Amin e um candidato do MDB, mesmo que seja Paulo Afons Vieira, Colombo teria dificuldades para garantir uma das duas vagas ao Senado.

BOEIRA EXPRIMIDO
Da mesma forma que se acomodou na vaga de governador e ditou a companhia do demista João Paulo Kleinubing para vice, Esperidião Amin guardou um espaço de candidato a deputada federal para a esposa Angela Amin e de deputado estadual para o filho João Amin. Afora isso o amigo Hugo Biehl também fisput vaga a deputado federal. Matematicamente isso praticamente inviabiliza a reeleição de Jorge Boeira.

BOEIRA FORA
Sem qualquer reação explosiva o deputado federal Jorge Beira falou, após a convenção, que está disposto a um novo desafio: ser candidato ao Senado. Ele não diz, mas sabe que com Ângela Amin e Hugo Biehl na disputa é uma ameaça, quase uma sentença de não reeleição.

FALTAM DUAS
O MDB fará sua convenção no próximo sábado na Assembleia Legislativa e o Democratas terá o seu encontro no Hotel Cambirella, também na capital. Estranha o silêncio do MDB que nos últimos anos foi o partido protagonista e aparentemente se transformou em um mero expectador. Inegável que quanto mais chás houver, maiores são as chances do MDB que tem Mauro Mariani candidato a governador.

A CLAUSULA PÉTRIA DE BAUER
De todas as convenções a do PSDB foi a que teve momentos preliminares mais tensos, mas ao mesmo tempo foi a mais conclusiva. Se observarmos o que disse o candidato a governador em seu discurso, foi a única convenção “imexível”. Tanto a convenção do PP, como a do PSD e outros partidos, segue com a ata aberta, Isto é: pode mudar a qualquer momento. A sentença da ata “imexível” do PSDB foi dita no discurso de Paulo Bauer. Ele foi contundente que não há como o seu nome ser substituído por outro mesmo do partido e que o de Napoleão Bernanrdes também não muda, seja por alguém do partido ou de outra sigla. Tudo isso tem relevância porque que nenhuma outra convenção teve discurso tão claro e porque havia especulações de que poderia haver surpresa.

MERÍSIO Especula-se que seja possível Gelson Merísio ser candidato a vice na chapa de Paulo Bauer e que Raimundo Colombo também estaria na chapa.

POUCO PROVÁVEL Ficou praticamente impossível construir uma mesma chapa com as presenças do PSDB, PSD, PP e DEM.

REAÇÃO Colegas de Chapecó teriam colhido de Gelson Merísio a reação de que ele agora quer um movimento de “todos contra o Amin”. Visível que se considera traído pelo líder do PP.

SÓ OBSERVAÇÃO Acompanhei todas as convenções partidárias até agora, nenhuma teve o clima, organização e animação da do PSDB, ontem em Joinville. Nem aquele megaevento de lançamento da pré-candidatura de Gelson Merísio, em Chapecó, que foi maior e com maior representação partidária, bate a convenção tucana.

ORATÓRIA Outra anotação que deve ser testemunhada pelos eleitores catarinenses quando começarem os comícios e a propaganda no rádio e na televisão é a capacidade de oratória do ex-prefeito de Blumenau, Napoleão Bernardes. Falar depois dele é melhor calar.

REPETIÇÃO O discurso de Esperidião Amin segue sendo uma as falas ais respeitadas pela plateia, mas ele fala na linha tradicional da velha política sem disfarçar o egocentrismo.

SILÊNCIO Há grande curiosidade entre os jornalistas políticos à reação do deputado Joares Ponticelli, que assim como em 2014, agora ensaiou a liderança de um movimento que não se consolidou. Em 2014 saiu de condutor para conduzido em um só dia. Sábado ouviu em silêncio Esperidião Amin anular o que Joares havia conduzido na quarta-feira, que era Jorge Boeira à vaga de vice-governador.
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FRASE DO DIA
“Estamos decidindo agora que eu Paulo Bauer sou candidato a governador e o Napoleão Bernardes candidato ao Senado. Se alguém tiver alguma coisa que se manifeste agora. E isso é inegociável, seja pelos nome ou as vagas.”
Paulo Bauer, candidato a governador pelo PSDB ao transformar em “clausula pétria” a decisão da convenção deste domingo. Havia, até então, rumores de que o partido poderia negociar algumas mudanças ao longo da semana.

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