Uma intervenção de marketing, militar, perigosa; Gravatas, Governos e candidatos

Um governo ilegítimo, fruto de um golpe parlamentar, impopular como nunca antes visto no país, tomando decisões que podem impactar duramente na paz e na democracia. Este é o quadro que temos quando o presidente Michel Temer (MDB) decide colocar o Exército como interventor na segurança pública do Rio de Janeiro. Tamanha impopularidade, em fins de um governo que já não existe e não consegue sequer entregar as reformas que vendeu aos seus patrocinadores, e colocar a instituição exército brasileiro nesta enrascada é digna de outra intervenção, mas esta pelo voto em outubro. É mais que temerária a decisão, pois colocar soldados treinados para ações de campo, quem sabe de guerra, no meio de uma convulsão social urbana, onde desconhecem totalmente o terreno. E se houverem confrontos com mortes de inocentes pelas mãos destes soldados?

Temer age como uma criança com um brinquedo nas mãos, sem saber que o brinquedinho não é dele. O problema da segurança pública no Rio, no país inteiro, é a falta de investimentos públicos na educação e saúde que levem às favelas, aos morros, aos rincões que passam necessidades básicas de cidadania, o que eles merecem. O crime organizado ocupa o espaço deixado pelo poder público, e não há como deixar de assinalar, não só nos morros cariocas, favelas, bairros pobres, mas também no Congresso Nacional, nas Câmaras de Vereadores, Prefeituras, enfim, nos três níveis de governo. Colocar o Exército nas ruas é brincar com fogo, e deixa cheiro de naftalina velha, relembrando 1964. E tem mais, pode ser inconstitucional haja vista não ter passado pelos estágios previstos na Constituição. É uma vergonha total que o Brasil não precisaria passar. E nem deve.

Guerra 
Esta guerra contra o crime organizado não passa de jogada de marketing de Michel Temer. Uma jogada que não tem nada de preocupação com a vida das pessoas que lá vivem, mas com a sobrevivência dele e do seu governo moribundo, com sua cúpula denunciada à Justiça, e apoiado por um Congresso Nacional comprometido apenas com interesses nada republicanos. A atitude busca desviar o foco dos problemas graves do país, dos processos da Lava Jato, e quem sabe criar dificuldades para que aconteçam as eleições. Do Temeroso, tudo é possível. Chega outubro!

Guerra 2
A guerra que precisa ser travada é a da moralidade, e da educação. Gerar empregos dignos, e as famílias terem onde deixar seus filhos estudando enquanto ganham seu sustento. Tudo isso é negado às populações mais carentes, principalmente nos dois últimos anos em que a pauta neoliberal assumiu o comando, impondo desemprego e mais miséria. A guerra precisa ser travada é dentro das organizações governamentais, inclusive polícias e comandos das seguranças públicas de Estado, tomadas por gestores incapazes de reagir e enfrentar o crime. Estão em sua maioria no mínimo “acostumados” com o que acontece, envolvidos pela inação dos governantes. Assim como os policiais se corrompem, colocar soldados nesta seara é comprometer talvez a força de segurança que ainda não está contaminada.

Big Brother da segurança
Se os governantes estivesse realmente preocupados com a segurança pública, agir para apagar incêndios com a tecnologia seria uma saída muito menos agressiva, e inteligente. Mas há que se ter vontade política de fazer, e não adiar para “marquetear” ali na frente. Recentemente, em Joinville, um grupo de empresários, coordenados pela ACIJ, fez a proposta na reunião da Câmara Intersetorial de Segurança Pública de Joinville – CAISP. A proposta: fornecimento de equipamentos e tecnologia para a implementação do video-monitoramento, com fornecimento de câmeras, drones e até tornezeleiras eletrônicas para o município, fornecendo também um sistema inteligente que possibilita a integração dos sistemas existentes.

Big Brother da segurança 2
O órgão público forneceria pessoal e local para instalação. A​ CAISP criou um grupo de trabalho para estudar a proposta, já antevendo a necessidade de integração da política de segurança, mas já prevendo as dificuldades entre as polícias civil, militar e federal, visto que seus comandos que poderiam dar o aval para essa realização. Quando apresentado ao Governador, Raimundo Colombo, disse que deixaria para o novo governador agir… Segundo as fontes, o então governador deixou nitidamente claro que seu sucessor é quem deveria avaliar a proposta. Será que usará como plataforma eleitoral? Estas PPPs os governantes não incentivam, e nem tem pressa…

Floripa precisa agir
A Capital dos catarinenses caminha para ter problemas tal qual o Rio de Janeiro se seus governantes, e os três poderes constituídos, não agirem de fato e com vontade republicana. No ano passado foram mais de 180 mortes violentas por conta da guerra entre o crime organizado. O crack vai tomando conta de ruas do centro histórico, e no entorno da antiga Praça dos Três Poderes, viciados e traficantes circulam abertamente, aos olhos de quem tiver olhos e queira ver. A guerra por aqui anda a passos largos, e ações de inclusão social, educação, esporte e outras mais são muito tímidas. Quem avisa, amigo é.

Contra a Reforma da Previdência
Florianópolis parou nesta segunda-feira. Transporte coletivo não foi para as ruas, tampouco as vans particulares prometidas pela Prefeitura, governo de Gean Loureiro (MDB). Professores, servidores públicos federais, estaduais e municipais paralisaram atividades. O país todo se mobiliza contra a Reforma Previdenciária que está sendo imposta pelo Governo Temer e Congresso. Há colegas que ainda agem colocando a culpa nas vítimas, quando elas se defendem. Não há outra forma de Governos entenderem que a população não quer a mudança, a não ser via paralisações, pacíficas é claro. E atos como estes na Capital acontecem em todo o Brasil.

Gravatas, Governos e Candidatos
Na transmissão de cargo – posse na verdade – do Governador Raimundo Colombo (PSD) para o vice-governador Eduardo Moreira (MDB), não passou despercebido o número de cargos comissionados – atuais e futuros pretendentes – e claro, os símbolos das gravatas entregues pela viúva de LHS, Ivete Appel, para ambos. Aliados de Moreira dizem ser um indicativo de quem deve ser o candidato emedebista. Apoiadores de Mauro Mariani, presidente do MDB de SC, lembravam que o deputado federal chegou antes no quesito: recebeu a jaqueta de LHS lá em 2010. Enquanto isso, Udo Döhler ainda apela via colunistas e bastidores para ser o candidato, sem gravatas e jaquetas.

Gravatas, governos e candidatos 2
Outra situação que não passou despercebida foi a composição do secretariado do governo Moreira. Não há sinais de nomes ligados ao pré-candidato do MDB, Mauro Mariani. Tampouco do norte, planalto norte e adjacências. As desconfianças só aumentam, e muita água vai rolar por debaixo das pontes da Capital até as convenções partidárias. Mas que Eduardo Moreira está animadinho, ah isso está… Vamos ver os próximos capítulos.

Amin-Merísio
Enquanto a festa rolava no Centrosul na Capital de SC, Esperidião Amin e Gelson Merísio, capitães de uma possível coligação entre PP e PSD, soltavam o verbo em rádios pelo oeste e sul. Ambos miram na ruptura com o MDB, resistem à continuidade da aliança entre PSD/MDB tão desejada pelo governador Colombo e o também governador, interino, Eduardo Moreira. A construção Amin-Merísio segue firme. E o PSDB, bem, o PSDB namora as duas vertentes possíveis…

Fecam mobiliza por mais recursos aos municípios
Está na pauta desta terça-feira, 20, do Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 01/2018 que trata do repasse do Auxílio Financeiro aos Municípios – AFM no valor de R$ 2 bilhões prometido pelo presidente Michel Temer no fim do ano passado. A Federação Catarinense de Municípios – FECAM e as Associações de Municípios de Santa Catarina, juntamente com os 295 prefeitos e prefeitas, mobilizam-se junto aos deputados federais e senadores do estado pela aprovação do Projeto. Os municípios do estado devem receber cerca de R$ 78 milhões que auxiliarão na ampliação do atendimento da população em áreas como saúde, educação e assistência social. Nesta segunda-feira, 19, as entidades encaminharam em conjunto um documento para o Fórum Parlamentar Catarinense.

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