A simbologia da gravata

Raimundo Colombo e Eduardo Moreira fizeram uma transmissão de cargo em memória a Luiz Henrique da Silveira. A viúva do ex-governador, Ivete Appel da Silveira entregou uma gravata do marido a cada um dos dois. Ambos recordaram que a aliança que reina ainda hoje nasceu em 2003. LHS foi citado o tempo todo. Assim, irmanados, os dois chefes de Executivo catarinense não deixaram espaços. Alçaram-se à condição imortal de LHS e colaram nele e em si aquilo que chamaram de projeto por toda Santa Catarina. Emblemáticos, os discursos podem ser interpretados como um recado de que a aliança de 16 anos deve continuar. Esta continuidade seria com Moreira, que arrematou sua fala de maneira estratégica, quando reafirmou que o projeto da descentralização precisa continuar, mesmo que careça de alguns ajustes. Quer dizer, Moreira reivindicou a condição de legítimo personagem da continuidade do projeto de LHS.

6 de abril foi sexta-feira

O ato de sexta-feira era para ter sido de gabinete meramente protocolar e administrativo, mas foi festivo e político. Tudo foi como se ali ocorresse uma posse de mandato cheio. Havia mais gente que nas duas posses de Colombo governador e Eduardo vice. Assim, oque deveria acontecer no dia 6 de abril, foi antecipado.

Discurso de Moreira

Houve quem estranhasse o fato de Eduardo Moreira, que tem o dom da fala de improviso, fazer um discurso técnico e lido. Foi perfeito. O ato não permitia chance de qualquer erro, esquecimento ou exagero. 

Despedida

Ficam dúvidas se a transmissão de cargo foi aquilo que imaginava Raimundo Colombo. Se ele apenas licenciou-se do cargo (saída parcial), adiando para o prazo final de 6 de abril a sua renúncia (definitivo) é porque pode ter pensado que transmissão não seria  tão definitiva. O PMDB, entretanto, montou um megaevento que não deu chances a Colombo, senão começar o discurso dizendo que estava dando por concluída a sua missão.

A frase

Das frases ditas por Raimundo Colombo a mais significativa foi: “na política só é mais importante que entender a mensagem, respeitar o mensageiro”. 

Contraponto

Na manhã desta sexta-feira Esperidião Amin (PP) falou na rádio Eldorado em Criciúma e disparou chamando o governo de Moreira de “governo fake”. Já no Oeste do estado o deputado estadual Gelson Merísio falou ao jornalista Marcelo Lula com tom ainda mais agudo. Quer dizer, a transmissão de cargo mexeu também com a oposição.

Fiel da balança

A reação do deputado Esperidião Amin que saiu disparando contra o PMDB é natural e óbvia. Nada mais natural que o sempre adversário peemedebista demarque local. E faz isso sabendo que o outro que pode apresentar-se como oposição, Paulo Bauer (PSDB) não vai fazê-lo. Pelo menos não agora.

Tendência

Se olharmos para a tradição política veremos que entre os dois mais tradicionais partidos políticos de Santa Catarina (PMDB e PP) ganha a eleição quem levar consigo o PSDB. Numa visão mais atual é possível dizer que o PSDB é quem tem “a faca e o queijo na mão”. Circunstâncias analisadas, com peso especial ao fato do desgaste do PMDB que tem 16 anos de mandato e desgaste, o PSDB é quem tem as maiores chances de vencer a eleição em outubro. Isso só ocorre se as várias alas tucanas se entenderem.

FRASE

“Raimundo Colombo perdeu o controle do seu partido. Hoje Colombo como agente do PSD está sendo conduzido, quando é ele na condição de governador que deveria estar conduzindo”.

Murialdo Gastaldon, prefeito de Içara e líder do PMDB comentando o momento político a partir da posse de Eduardo Moreira.

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