PSDB é o próximo a se movimentar

Definido o candidato do MDB, quem entra na obrigação de se mexer agora é o PSDB. Ou os tucanos avançam definindo-se como a “terceira via”, entre MDB e a corrente de Gelson Merísio, ou acabam enquadrados por uma destas duas alianças. E definir-se como terceira via significa compor chapa, por exemplo, definindo quem será o candidato a vice-governador. Com o melhor de todos os cenários a seu favor, o PSDB ficou refém de uma denúncia de delação premiada contra o seu candidato a governador. Se não oferecer segurança para atrair aliados pode passar de protagonista a coadjuvante. É tudo o que deseja Gelson Merísio, que já estaria de olho em duas situações. Uma é abdicar do discurso de palanque livre no primeiro turno para os presidenciáveis, oferecendo este espaço para Geraldo Alkmin recebendo em troca o PSDB que indicaria um nome ao Senado. A outra é atrair e Ângela Amin de vice, o que neutralizaria o PP dos Amin, pois o PP “dos outros” ele já tem.

Clésio na decisão de Moreira

Volto à tese de que teve peso sim o “não” de Clésio Salvaro ao apelo para que ele abrisse discurso pró Eduardo Moreira, dentro do PSDB e no ambiente político do Sul, como lhe fora solicitado quinta-feira da semana passada. Natural que esta razão não foi a única, mas teve enorme peso na decisão anunciada pelo governador ao seu partido segunda-feira. Se tivesse arrancado “de casa” com o apoio de um tucano, Moreira estaria cacifado a manter-se no jogo. Como não foi assim, correndo o risco não só de não ter o PSDB com ele, mas o prefeito da sua cidade fazendo campanha para outro era um cenário que significava risco e risco era tudo que Moreira não queria. Por tudo isso a saída dele da disputa terá desdobramentos na política de Criciúma.

NOTAS

A sucessão de decisões de Eduardo Moreira podem lhe custar um rótulo equivocado. Ontem era lembrado que em 2010 ele ganhou prévia no partido, mas aceitou ser vice de Raimundo Colombo. Ora, se algum emedebista considerar isso “débito”, não é da conta de Moreira, mas de Luiz Henrique da Silveira.

Aos 69 anos, governador aposentado, lembrando que foi chamado de volta à entrar no jogo político depois de perder a eleição de prefeito para Décio Góes (PT) em 2000, Eduardo Moreira não precisava mais correr riscos e 2018.

Aqui na coluna eu já havia insistido que Eduardo Moreira só iria para a disputa “na boa”. Se houvesse risco, estaria fora. E o risco maior seria o de encerrar a carreira perdendo para Esperidião Amin.

O que dificilmente Eduardo Moreira conseguirá reverter é a percepção de que o seu governo acabou. É da regra do jogo que um governo acaba quando não tem mais perspectiva de eleição. Ou isso, ou ele mergulha na eleição de Mauro Mariani.

Sintomático

Na cúpula dos partidos – nem mesmo o próprio PP – ninguém quer Esperidião Amin candidato a governador, mas ele segue navegando com ventos a seu favor. Assim como em 2014, Amin estaria apenas aguardando o momento certo para intervir no jogo, enquanto o PSD conduz os progressistas.

Por Amin

A desistência de Eduardo Moreira parece ter provocado efeito imediato no grupo liderado por Marcio Búrigo e Itamar da Silva que articulam para sábado um evento pró-Amin em Criciúma. Vários líderes do partido receberam ligações de convite ontem.

No Sul

O governador Eduardo Moreira parece disposto a manter o ritmo de agenda mesmo após a desistência da candidatura. A Casa Militar confirmou ontem que ele terá agenda em Criciúma na próxima sexta-feira. Virá para entregar ordens de serviço de medidas que asseguram a construção da Estação de Esgoto da Próspera e da rede de esgoto do bairro São Luiz.

Candidato

A Rede Sustentabilidade lança a sua pré-candidatura à majoritária amanhã. O candidato a governador é o professor de direito ambiental da UFSC, Rogério Portanova. Sua vice será a ambientalista Miriam Prochnow. O consultor em relações internacionais Diego Mezzogiorno é o candidato ao Senado Federal. O ato acontece na capital.

FRASE DO DIA

Não importa quem seja o candidato a governador, se Eduardo Moreira, Mauro Mariani ou Dário Berger ou outro de qualquer partido. O certo é que eu estarei com quem meu partido (PSDB) estiver.

Clésio Salvaro, quando rejeitou a possibilidade de dar uma declaração de que estaria com Eduardo Moreira por ele ser do sul, independentemente da decisão do seu partido.

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