Prefeitos do sul do estado articulam apoio de Udo Dohler para Pinho Moreira

A partir de agora a pressão política para a renúncia do governador Raimundo Colombo (PSD) já em janeiro, e não em abril de 2018 (prazo limite para a descompatibilização dos cargos de quem pretende se candidatar a alguma vaga eletiva), é grande. Isto porque saindo Colombo entra seu vice, Eduardo Pinho Moreira (PMDB), já em notável pré-campanha ao Executivo pelo sul do estado, sua base eleitoral. Ontem (25/10) alguns prefeitos da região sul reuniram-se com o prefeito de Joinville, Udo Dohler (PMDB), na tentativa de negociar um convencimento para Colombo renunciar antes do prazo previsto. Estiveram no gabinete de Udo os prefeitos, colegas de partido, de Içara (Murialdo), Jacinto Machado (Gaiola), Laguna (Mauro Candemil), São Ludgero (Volnei), Sombrio (Zênio Cardoso) e Turvo (Tiago Zilli).

Embora Mauro Mariani esteja defendendo sua candidatura para ano que vem, Eduardo Pinho Moreira também aparece com a mesma vontade, incluindo o apoio de seus colegas regionais, articulando apoio na região onde Mariani tem base eleitoral. O movimento evidencia um racha dentro do PMDB catarinense, que tem o deputado federal Mariani como presidente. O prefeito Udo, por sua vez, usou do seu discurso típico: não disse que sim, nem não, como também não confirmou nenhuma candidatura, sobretudo ao Senado, como conversas de bastidores defende. Os prefeitos do sul querem que Udo, inclusive, articule um apoio à Pinho Moreira entre os prefeitos da região norte, posição delicada para o prefeito de Joinville que até agora tem preferido o silêncio.

No cenário político que está sendo desenhado, o governador Colombo sairia candidato ao Senado, enquanto Pinho Moreira assumiria sua cadeira como governador interino. Há ainda a possibilidade de o PMDB/SC definir o nome de Pinho Moreira como candidato ao Executivo catarinense, deixando o presidente da Assembleia Legislativa, Silvio Drevek (PP) como governador interino em 2018. Caso Mariani seja o preterido, sua candidatura à reeleição à Câmara dos Deputados, em Brasília, seria a mais viável, deixando Carlos Chiodini (com sua base eleitoral em Jaraguá do Sul e Vale do Itapocú) para disputar a AL. Enquanto isso, o prefeito Udo Dohler mantém o silêncio inquietante e até mesmo estratégico de quem espera o momento certo para dar a tacada final na “bola 8”. O que se sabe, na prática, é que seu vice, Nelson Coelho, está sendo preparado já faz tempo para assumir o comando da maior cidade do estado.

Questionado sobre esta situação, Mauro Mariani se mostrou destinado a concorrer a governador ano que vem. “Conheço os 295 municípios catarinenses, estou trabalhando para isto e tenho apoio dos meus colegas, agora todos podem dar seu nome como pré-candidatos, a convenção partidária quem vai definir”, explica. Para ele, sair na disputa à reeleição na Câmara está praticamente descartada. Já em relação à saída antecipada de Colombo, Mariani aponta: “Acho difícil isso ocorrer porque antes de mais nada o discurso de Colombo e Pinho Moreira precisa estar afinado, haverá desdobramento disso. Esta articulação de ontem não resulta em nada além de constrangimento para Pinho Moreira”. Uma reunião para conversar sobre este assunto foi marcada para a próxima segunda-feira (30/10), em Florianópolis.

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